quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

ACOMPANHANTES DE HÓSPEDES

Identidade dos acompanhantes

Em um hotel quatro estrelas de uma capital brasileira, um advogado, funcionário e representante de importante empresa brasileira se hospedou em uma suíte, com todas as mordomias. Era um cliente VIP. No segundo dia, à noite, ele telefonou para a recepção e solicitou:

— Por favor, mandem o catálogo de meninas, estou querendo uma companhia.

— Senhor, não dispomos desse catálogo, o hotel não opera com esse serviço.

— Como? Não tenho o direito de trazer uma companhia feminina?

— Senhor, pelas normas, as acompanhantes dos hóspedes são aceitas mediante preenchimento de ficha de hospedagem e pagamento de diferença de diária, mas não operamos com indicação de acompanhantes.

Ficha? Registro? Pagamento? Onde estamos? Na Bósnia? Quero falar com o gerente.

O gerente foi localizado e confirmou que o hotel não indicava acompanhantes e a identificação de pessoas que transitavam nos aposentos era necessária por medida de segurança. O cliente VIP sentiu-se profundamente ofendido, agrediu o gerente com palavras e alegou sua condição de hóspede de suíte. Como advogado, conhecia bem a lei e o direito do cidadão. Criticou o conservadorismo do hotel, anunciou que traria uma acompanhante e que não se submeteria à humilhação de preencher ficha complementar.

Mais tarde, o cliente foi visto no restaurante com uma garota bem jovem. O maître foi avisado e a segurança colocada em alerta. O que aconteceu já era esperado: o hóspede burlou a vigilância e se dirigiu à suíte acompanhado. O recepcionista, inteirado do fato, comunicou-se com o gerente que resolveu não importunar o hóspede, para evitar uma confusão maior.

No meio da madrugada, o recepcionista acordou o gerente e lhe comunicou: “o hóspede da suíte pede providências urgentes, pois foi roubado em seu aposento e está querendo responsabilizar o hotel”.

Então, o gerente encontrou o hóspede muito indignado por ter tido documentos, dinheiro, relógio e outros pertences roubados por alguém que se aproveitara de seu profundo sono. Negando assumir a responsabilidade, o gerente alegou que ele havia introduzido sorrateiramente no hotel uma pessoa desconhecida e sem identificação. Ficaria difícil saber quem seria o autor do roubo. Nessa hora, o hóspede resolveu ter a seguinte postura:

— Mas o senhor sabia que eu estava acompanhado?

— Sim. O senhor saiu do restaurante acompanhado e foi para a sua suíte.

— Por que não me foi exigido o preenchimento da ficha de acompanhante? Isso não é norma do hotel? Eu exijo ressarcir meu prejuízo.

O gerente sentiu a maldade e, como última instância, sugeriu ao cliente que fizesse um relato por escrito da situação. Essa seria comunicada à polícia, mediante registro na Delegacia de Furtos e Roubos, e à empresa do hóspede – a responsável pela sua reserva e hospedagem. O gerente solicitou ao recepcionista que providenciasse um carro para conduzir todos à Delegacia e fez menção de sair.

Nessa hora, o hóspede capitulou. Convidou o gerente para uma conversa em particular.

— Desculpe-me, mas estou perdido. Sei que errei e o senhor não tem culpa. Por favor, tente ajudar-me ao menos a recuperar meus documentos.

— Bem, o primeiro passo é registrar a ocorrência na policia, o senhor não concorda?

— Sim. Eu poderia ter evitado este constrangimento.

O gerente tomou todas as providências, cuidou para que o nome do hóspede fosse preservado. Dois dias depois os documentos apareceram, entregues por um policial.

Na primeira reunião com seus colaboradores, enfaticamente, o gerente observou:

— A partir de hoje, vamos intensificar a vigilância e procurar identificar as pessoas que acompanham os hóspedes. Afinal, uma de nossas mais sagradas missões é zelar pela integridade, conforto e bem-estar dos hóspedes, mesmo quando eles não entendem nossas normas.

Nenhum comentário: