quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

O HOTELEIRO X GAROTA DE PROGRAMA

Quando se apresenta e alguém lhe pergunta o que faz ou qual sua profissão Mr. Hunch sempre diz que “sou hoteleiro” ou “administrador hoteleiro”. E as pessoas perguntam “você tem hotel?” “Não. Sou um profissional de hotelaria.” Há uma diferença entre ser dono de hotel e hoteleiro. Um tem o capital e o outro o conhecimento, a experiência. Gerente de hotel e administrador hoteleiro não são a mesma coisa. Um famoso resort de Guarujá já teve dentista duas vezes como gerente geral. E dizem foi vendido por um dólar. Um outro de rede, em Foz de Iguaçu já teve como diretor de operações um comandante de Boeing aposentado. Um outro empreendimento em Guarujá tinha um vendedor de tratores como gerente. O anterior era um ex-motorista de caminhão, sobrinho de um diretor. Hoje esse empreendimento não mais existe. Nunca vimos um gerente ou administrador de hotel arrancando dentes ou levando Boeing para Nova York. Nos anos 90 Mr. Hunch trabalhou num dos melhores hotéis do norte / noroeste do Paraná, de famosa rede hoteleira, a melhor em termos de administração do patrimônio e do capital humano, cujo diretor proprietário, além de estudar na Cornel, sabia fazer todas as funções de chefia e gerencia no Hotel. Certa vez o diretor chegou a substituir o chefe de recepção de uma unidade por quinze dias e em seguida substituiu o gerente por mais outro tanto, pois o mesmo havia peitado o diretor. Mr. Hunch. ao chegar à cidade e ao hotel, o gerente anterior, que havia sido promovido a diretor, deixou as coisas um tanto bagunçadas, pois sua única preocupação era ser promovido, e em vez de administrar o hotel e as pessoas, só se preocupava com política. As escalas de trabalho eram feitas na hora, folgas transferidas, férias reembolsadas ou suspensas, transferidas. Disciplina e hierarquia eram coisas estratosféricas. O chefe de Recepção trabalhava das 06 às 10 e das 18 às 22 horas. Há alguns anos sem férias. Não podia estudar e conviver com a família, amigos, religião, pois raramente saia no horário e volta e meia era chamado para vir mais cedo. Pessoal mal selecionado. Lideranças quase zero. Muita política. O próprio futuro-diretor, ao se despedir do pessoal, na ausência do gerente novo, disse ao pessoal que estaria indo para o Escritório Central, mas se “esse cara” fizesse algo, era para ligar direto para ele. E os insatisfeitos, indisciplinados, desonestos, mal-intencionados, ligavam. E a vida do gerente, chefe de recepção, coordenadora de eventos, de reservas, chefe de lavanderia, controller, segundo cozinheiro, que queriam levar a coisa a sério estava virando um inferno. Até que um dia esse diretor cometeu um deslize e foi dispensado. Nesse meio tempo, o chefe de recepção pediu licença para falar com o gerente, para acertarem um plano de trabalho, mas antes lhe entregou uma folha com mais ou menos os termos abaixo: O que é trabalhar com hotelaria? Como se fosse uma garota de programa, Você trabalha em horários estranhos Pagam-te para fazer o cliente feliz O cliente até que às vezes paga bem, mas o empregador fica com quase tudo Seu trabalho sempre vai além do expediente Você é recompensado por realizar as idéias do cliente Seus amigos se distanciam de você e você passa a andar com outros iguais a você Quando vai ao encontro do cliente você tem de estar sempre apresentável Mas quando você volta para casa mais parece ter saído do inferno O cliente sempre quer pagar menos, mas quer que você faça maravilhas Quando lhe perguntam em que você trabalha tem dificuldade em explicar Se as coisas dão errado é sempre culpa sua Todos os dias ao acordar você diz: Não! Não vou passar o resto de minha vida fazendo isso! Mas a única diferença entre o hoteleiro e a garota de programa é que ela pode folgar no Natal, Reveillon, Carnaval, Feriados, dia em que a mãe desencarna, aniversária de casamento e de filhos... E você, hoteleiro (profissional de hotelaria) não.

Um comentário:

Anônimo disse...

perfeito me sinto assim mesmo!!!!ainda não descobri pq estudei tanto na vida...