A TELEFONISTA... ( UM CASE)

Trocando de apartamento e perdendo a esposa

O caso a ser relatado agora é verídico e aconteceu com um amigo meu. O pai dele, importante executivo de uma multinacional, foi convocado pela sua empresa para um curso na Bahia. O curso ocorreria durante a semana inteira, em um hotel padrão cinco estrelas, local em que ele também se hospedaria. O contato com sua família, especialmente com a esposa, era diário e com pontualidade britânica. A mulher, em outro Estado do País, sabia o número do apartamento dele no hotel e no horário estipulado entre o casal fazia a chamada, pedindo à telefonista para transferir a ligação para o apartamento X.

Este sistema funcionou perfeitamente até a quinta-feira, véspera do último dia do curso. Na sexta-feira pela manhã, o pai deste meu amigo ligou para casa e informou que o professor que ministraria a aula daquele dia ficou retido em São Paulo, não podendo ir para a Bahia e que sua aula havia sido transferida para o dia seguinte (sábado). Complementando o quadro de “azar”, o horário do último vôo da Bahia, no sábado, para seu Estado de origem era “exatamente” durante a aula, conseqüentemente, ele só poderia retornar no domingo na primeira hora da tarde. A esposa ficou chateada, mas entendeu e, como o marido sempre foi muito profissional, aceitou.

O plano parecia perfeito, tudo conferido e checado. Mas aí, eis que surge a telefonista atenciosa do hotel. A esposa, já acostumada a telefonar, efetuou a ligação e pediu o apartamento X. Chamou, chamou e ninguém atendeu. A ligação retornou à mesa da telefonista, que perguntou com quem a cliente gostaria de falar. A esposa, que até então não havia se identificado, respondeu: ”eu gostaria de falar com o hóspede Fulano de Tal, do apartamento X.”. Então, em um acesso de bom atendimento, a telefonista disse:

não, o sr. Fulano se mudou para o apartamento Y, pois sua esposa chegou de viagem e o apartamento em que ele estava não era de casal...”.

A esposa “oficial”, tentando se refazer do susto, teve sangue frio o suficiente para ir adiante, falando à telefonista: “você me desculpe, mas eu sou a secretária nova dele e a esposa que chegou aí está de aniversário, porém eu não sei o nome dela e preciso enviar umas flores com um cartão. Além do mais, o curso que está acontecendo aí foi prorrogado, né?...”. A telefonista respondeu: “oh, minha rainha, se for para te ajudar eu te digo sim, o nome dela é Beltrana de Fato, mas o curso terminou hoje pela manhã.”

Pronto! Deu o “serviço”! Aproveitando a mesma ligação, a esposa “oficial” pediu que a telefonista transferisse a ligação. Ao atender ao telefone, o sr. Fulano fez as tradicionais declarações de amor, dizendo que estava com saudades e que sentia muito passar o final de semana longe, blá, blá, blá... A esposa então disse: “pegue o primeiro vôo de volta para casa, se ainda quiseres ter roupas para vestir. Sei que estás aí com a Beltrana e que teu curso terminou hoje pela manhã”. Ele tentou disfarçar, mas não teve jeito.

Como diz um amigo meu: “Caiu a casa!”. O plano fez água! É claro que o final de semana que era para ser de “9 e ½ semanas de amor” no Nordeste, virou a “Hora do pesadelo”. Sábado pela manhã o pai do meu amigo estava em casa, dando explicações... se é que fosse possível.

Meu amigo sofreu muito com a separação de seus pais, aliás, quem não sofreria?

Esse caso é muito interessante para explicar o grau de importância que o atendimento tem dentro de uma estrutura hoteleira. Certamente, essa telefonista do hotel não sabia que nunca se deve informar o número do apartamento, nome de acompanhantes e os valores das despesas de um hóspede para terceiros, sem a sua autorização.

Portanto, profissionais de atendimento em hotelaria, sejam sempre discretos e respeitem a privacidade de seus hóspedes, não revelando informações a respeito deles, salvo por autorização dos mesmos ou instrumento judicial impresso.

Gilberto Rosa Júnior
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