GRAND HOTEL CA’D’ORO – SÃO PAULO


O hotel era o preferido de presidentes, reis, rainhas e artistas.

Foto: Mestre na Arte de Bem Receber - O senhor Fabrizio Guzzoni, fundador do Grand Hotel Ca'd'ro. Excepcionalmente rigoroso em tudo, trabalhou firme até os ultimos dias de vida.

Devo admitir que o senhor Guzzoni, hoteleiro exemplar e foi ele que me inspirou e até hoje sigo seus conselhos e quase  tudo que pratico na hotelaria tem um  pouco da essência do mestre Guzzoni
Por três anos, trabalhei neste respeitável clássico da hotelaria paulistana. Sempre rigoroso com todos os detalhes, o mestre Guzzoni mesmo  na sua idade já avançada diariamente mantinha  sua rotina de trabalho.

Símbolo do charme de um centro paulistano que não existe mais, ao menos oficialmente, o Ca"d"Oro será reaberto nos próximos anos.



ILUSTRES HÓSPEDES

Em suas décadas áureas, o hotel - e o restaurante contíguo - era refinado ponto de encontro de autoridades, intelectuais e artistas. O pintor Di Cavalcanti (1987-1976) chegou a morar ali durante alguns meses. O poeta Vinicius de Moraes (1913-1980) e o escritor norte-americano Gore Vidal também eram figurinhas fáceis pelos corredores.

Entre os autógrafos orgulhosamente colecionados pela administração do hotel - conseguidos quando os ilustres ocupavam uma suíte ou uma mesa do restaurante -, estão nomes como o do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973), do cientista norte-americano Linus Pauling (1901-1994), dos escritores Jorge Amado (1912-2001) e Rachel de Queiroz (1910-2003), do cantor Roberto Carlos, do apresentador de televisão e empresário Silvio Santos e do ex-jogador de futebol Pelé. Além de políticos, como o estadista francês François Mitterrand (1916-1996), o ex-governador paulista Mário Covas (1930-2001), o rei espanhol Juan Carlos I e os ex-presidentes brasileiros Ernesto Geisel (1907-1996) e Jânio Quadros (1917-1992).

Quando se submeteu a tratamento médico em São Paulo, o então presidente João Batista Figueiredo (1918-1999) chegou a despachar de uma suíte no Ca"d"Oro. Em 1991, o tenor Luciano Pavarotti (1935-2007) ocupou um dos luxuosos quartos - que foi totalmente reformado para recebê-lo.

A história do empreendimento começou em Bérgamo, na Itália. Em um dos hotéis da família, Fabrizio Guzzoni (1920-2005) conheceu uma brasileira, com quem viria a se casar. Já em São Paulo, inaugurou o Ca"d"Oro - primeiro como restaurante, em 1953, na Rua Barão de Itapetininga. Três anos depois, na Rua Basílio da Gama, nascia o hotel. Poucos anos mais tarde, com 300 apartamentos, Guzzoni instalava seu negócio no endereço definitivo, na Rua Augusta.

Para se ter uma idéia de como o Ca"d"Oro prezava a elegância, até 1962 era proibida, em seu restaurante, a entrada de homens sem gravata. Havia até uma placa, oficializando a norma. Depois, a regra foi abrandada - era exigido apenas o paletó, embora dificilmente algum freqüentador dispensasse a gravata. A administração mantinha paletós para emprestar a algum desavisado.


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