PORQUE A INDÚSTRIA HOTELEIRA AINDA PAGA MAL?



Há alguns mitos em relação aos ganhos de um profissional de hotelaria. Alguns dizem que o setor paga mal, que exige muito e mal reconhece. Em contrapartida, há os felizardos com sorrisos longos no rosto quando o assunto é remuneração. Fugindo às anedotas e aos achismos, um estudo da QI Profissional mensurou o comportamento do mercado hoteleiro no que tange aos salários, chegando a conclusões capciosas, como por exemplo que a média salarial num hotel de lazer é 14% maior que à de um de porte executivo.

De acordo com Márcio Moraes, gerente de Planejamento de Carreira da QI e um dos coordenadores do projeto, a Pesquisa salarial no mercado hoteleiro levou dois anos para ser realizada, com uma análise iniciada em 550 currículos, que passaram por filtros e foram reduzidos a 209. "Tivemos um cuidado muito grande com a apuração dos dados, questionando tudo o que era colocado no currículo", explica Moraes, acrescentando que todos os 209 profissionais foram entrevistados por videoconferência, para que fosse mantida a fidedignidade das informações.
Média nacional

A pesquisa avaliou executivos de todo o País em cargos da alta administração, gerência geral, média gerência, chefia, coordenação e supervisão, identificando uma média salarial nacional de R$ 6.463,84.
Outra baliza importante para o estudo da QI, empresa especializada em orientar e acompanhar a carreira de profissionais nas áreas de Hotelaria e de Gastronomia, é que a atribuição das estrelas aos hotéis foi embasada na definição do Guia 4 Rodas, da Editora Abril, e não em informações consideradas pelos hoteleiros.

Menos apartamentos, menos salário

Entre outros dados, concluiu-se que empresas com menos de 100 UHs tendem a pagar menos se comparadas às de mais apartamentos. Hotéis de 101 a 200 quartos pagam 19% a mais; nos de 201 a 300 a diferença cresce para 21%; e nos empreendimentos com mais de 300 quartos o número chega a ser 24% superior - todos em comparação a hotéis de até 100 UHs.
"Quanto maior a complexidade de gestão, mais qualificação será exigida do profissional. A categoria sendo elevada, notadamente, o salário cresce, é até o esperado", articula Márcio Moraes.

Regiões? Sudeste é líder

O Sudeste apareceu como região que melhor remunera, com 3% acima da média nacional. O Sul aparece com menor colocação, sendo que os profissionais naquela região recebem até 13% a menos do que a média.

E a onda de queda é a mesma para as demais praças: Centro-Oeste com menos 1%, Norte com menos 4% e Nordeste com menos 5%, todos em comparação à média nacional.

Torre de babel

A proficiência em idiomas nos níveis avançado e fluente também foi analisada. Aferiu-se, por exemplo, que o profissional sem proficiência em línguas recebe até 18% a menos que a média nacional. Já o que fala até três idiomas chega a ganhar até 57% a mais em comparação ao executivo que não tem habilidade com outros dialetos.

Hoteleiros com proficiência em pelo menos um idioma perdem apenas 1% em relação à média nacional. Já com fluência em dois e três idiomas atingem, respectivamente, 12% e 28% superior à mesma base, segundo a pesquisa.

Área acadêmica
A graduação também é fator preponderante na composição do salário de um profissional hoteleiro. A pesquisa salarial no mercado hoteleiro mensurou que profissionais graduados têm salários 8% maiores do que os com apenas Ensino Médio. Os pós-graduados, apenas em relação aos graduados, chegam a ganhar 20% a mais.
Resultado importante também em relação à graduação é que o profissional que passou pela universidade é melhor remunerado na região Norte, com salário 31% superior ao perfil com graduação na região Sul; 30% superior ao perfil com graduação na região Sudeste; 24% superior ao perfil com graduação na região  Nordeste; e 17% superior ao perfil com graduação na Média Nacional.
Já o pós-graduado pode ser mais valorizado na região Sudeste, na qual o salário pode chegar a ser 43% superior ao perfil pós-graduado na região Sul. A remuneração atinge, inclusive, 32% a mais em relação aos profissionais apenas graduados atuando no Sudeste. "Isto mostra que para algumas regiões não é necessário ser pós-graduado, pois os salários não acompanham o crescimento do profissional", explica o gerente.

O estudo da QI, que contou com a coordenação também de Nara Neves, gerente de Vagas, e Humberto Rodrigues, coordenador de RH, foi realizado de junho de 2009 a junho de 2011, tendo como base profissionais contratados em regime de CLT ou PJ - o último com maior incidência nas funções de gerente geral e diretoria.
fonte: hoteliernews.com
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