sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Particularidades da implantação de hotéis



Hotelaria é um ramo igual a qualquer outro, com suas peculiaridades individuais. A intenção de implantação de um hotel deve contemplar diversos estudos de viabilidade para se adotar o tipo de empreendimento adequado às demandas, de conformidade com o perfil em potencial dos clientes e recursos turísticos. A partir daí deve-se dimensionar os diversos serviços a serem oferecidos e a quantidade de leitos oferecidos.
Uma grande quantidade de leitos nem sempre se traduz em rentabilidade. Fatores como a mão de obra necessária para trabalhar no empreendimento contribuem sobremaneira para o custo final dos serviços. Em alguns casos pode-se não levar em conta a relação do número de funcionários versus o número de leitos a serem disponibilizados, quando o propósito contemplar um número maior de serviços. A gestão administrativa do empreendimento deve ser realizada por especialista com larga experiência em diversas áreas de hotel. A familiarização e vivência anterior propiciam facilidade e agilidade na resolução de problemas, pois fatalmente foram vividos no passado.
Para iniciantes torna-se perda de dinheiro. A visão de auto-suficiência de alguns empresários iniciantes torna o empreendimento fadado ao fracasso. Isso é muito comum na hotelaria. Esse fenômeno é motivado pela pseudo-visão que se tem em relação a serviços, por amaciamento de egos e outros fatores psicológicos. O profissional de linha de frente deve ser contratado, nem que a título de assessoria no mínimo, desde o início da etapa de acabamento da obra, passando pelo estudo de itens como mobiliário, equipamentos e utensílios necessários, levando em conta quantidade, modelo e outros fatores, de conformidade com a proposta do hotel.
Os prazos de aquisição também devem ser estudados e inseridos no cronograma, levando-se em conta a seriedade dos fornecedores. Nem sempre os itens mais caros são os mais adequados, mesmo quando se propõe a oferecer mais qualidade. A doação da participação de um profissional competente da área nesta fase será imprescindível não apenas para a economia que se fará no presente, mas também no futuro, em função de escolhas e quantitativos.
A grosso modo poderíamos fazer uma analogia entre se ter que descobrir a fórmula de um remédio, a posologia adequada etc, com a sabedoria de uma prescrição e a simples compra numa farmácia. Seria como pular etapas desnecessárias. Quando se tem a vivência, as soluções vêm mais rápidas e eficazes, pois os problemas anteriores ensinaram.
FONTE: HOTELNEWS/VANILDO MARQUES

Hospitalidade: Vocação para Servir.

Recentemente o Senac Jundiaí promoveu um evento direcionado aos empresários do setor de hospitalidade da região. O tema foi o "desafio de encontrar profissionais qualificados no área", e Paulo Mélega, gerente geral do Grande Hotel São Pedro (Hotel-escola do Senac-SP), falou, dentre outros tópicos importantes, sobre a vocação para servir. Este tema me levou a escrever esta postagem, comparando duas experiências que vivi e ilustram o que Paulo Mélega defendeu em sua palestra.
Hospitalidade: Vocação para Servir.
É cada vez mais evidente a igualdade dos produtos e estruturas das empresas. O que um oferece a um cliente, o outro também pode oferecer, copiando ou até mesmo inovando um produto, uma estrutura ou um processo. É fácil para um copiar o sucesso do outro quando se trata de estruturas físicas.
Se tratarmos o caso da hotelaria, é quase inexistente a diferença entre produtos e estruturas hoteleiras entre as diversas redes de hotéis em suas determinadas atribuições de padrões, desde o mais econômico ao mais luxuoso.
Quase todos os hotéis econômicos têm a mesma estrutura física, mesmos produtos à disposição do hóspede e mesmos procedimentos. O mesmo acontece com os hotéis mais luxuosos.
Aonde pode estar então a diferenciação?
Está nas pessoas e na sua vocação para servir.
A pessoa responsável por servir ao hóspede é quem determinará a diferença entre uma empresa e outra.
A pergunta é: Qualquer pessoa é apta para servir?
A resposta: NÃO.
Para servir é preciso ter vocação, é preciso gostar de servir e se sentir realizado fazendo isto.
O que tenho a dizer é que não adianta uma empresa estabelecer seus padrões de serviço e esperar que seus funcionários cumpram estes padrões, se essas pessoas não tem vocação para servir.
É importante também deixar claro que não é o padrão de um serviço que determina um serviço de qualidade ou não. Todo serviço, em qualquer nível que seja - do mais econômico ao mais luxuoso - deve atentar para a qualidade na sua prestação.

Eu já tive oportunidades de me hospedar em hotéis de alto-luxo e hotéis super-econômicos pelo mundo a fora. Já tomei café da manhã no luxuosíssimo Burj Al Arab, e já me hospedei numa pequena hospedaria ao pé do Mont Saint Michel, no interior da França (Le Marquis de la Guintre). Posso dizer que fui muito melhor recebido e acolhido pela dona daquela hospedaria no interior francês, do que no ícone da hotelaria mundial, o Burj Al Arab.
Você pode se perguntar: "Como assim, foi melhor recebido em uma pequena hospedaria de cidade do interior do que no hotel mais luxuoso do mundo?"
A diferença entre um e outro está na vocação para servir.
A dona daquela pequena hospedaria, em Mont Saint Michel, tinha vocação para servir e sentia-se realizada em poder fazer isto. Ela foi acolhedora no momento de receber, mostrou todo o seu estabelecimento explicando os mínimos detalhes, foi gentil na negociação da tarifa para a hospedagem, explicou como funcionava o sistema de aquecimento, falou sobre a utilização da cozinha, chegou até a comentar sobre o clima no Mont Saint Michel, que se escondia em nuvens ao entardecer, até as primeiras horas da manhã, mas depois se mostrava imponente no horizonte, enfim, ela soube receber, fez isto não por que aprendeu com alguém, mas por que tem vocação para servir. Pode até ter cometido algum erro ao servir, como ao preparar da mesa para o nosso café da manhã, mas sua gentileza e prontidão para servir cobriam qualquer erro de estrutura física.
Já no tão luxuoso Burj Al Arab, não nos acompanharam até o restaurante do café-da-manhã, levaram tempo para preparar a mesa, cometeram falhas ao montar a mesa e ao servir, e paparicaram muito menos do que a dona da Le Marquis de la Guintre.
A diferença de preço:
Uma hospedagem na Le Marquis de la Guintre - $40,00 (Euros)
Um café-da-manhã (apenas um café da manhã) no Burj Al Arab - $150,00 (US dollar)
O serviço que mais me impressionou?
Sem dúvidas, a dona da pequena hospedaria em Mont Saint Michel foi muito mais hospitaleira do que os mais de 10 funcionários do Burj Al Arab, com os quais fiz contato durante minha estada no hotel para o café-da-manhã.

Sendo assim, hoje a diferenciação não está mais apenas na característica física dos produtos ou das estruturas da empresa, mas sim na maneira como este produto é entregue (como é feito o serviço) e nos benefícios que este serviço traz ao cliente.

De tal modo, quando se trata de hospitalidade (seja em qualquer tipo de prestação de serviço) vai se destacar aquela empresa que possui profissionais com vocação para servir!


Por  Victor Hugo Costa

Diminuindo os riscos de um negócio hoteleiro



A maior parte dos leitores do Boletim conhece bem o funcionamento de um hotel e do mercado hoteleiro. No entanto, é possível que poucos realmente entendam o negócio do ponto de vista da rentabilidade do investimento. Assim, vale a pena abordar alguns temas relativos ao risco do investimento em um hotel.
Para o proprietário ou investidor, o hotel é um negócio que deve gerar uma renda suficiente para remunerar o capital investido. Ou seja, não se trata apenas de gerar lucro, mas de esse lucro remunerar bem o investimento e compensar os riscos do negócio.
Nos últimos anos, o grande problema do mercado hoteleiro no Brasil é a baixa rentabilidade do investimento em um novo hotel e isso tem restringido o aumento de nosso parque hoteleiro. Em muitos casos, as projeções indicam uma taxa interna de retorno (TIR) de 10% ao ano (em termos reais), enquanto que um valor razoável seria acima de 15%.
Essa previsão de rentabilidade também está relacionada com os riscos de implantação e de operação de um novo empreendimento. Um hotel é o tipo de investimento que exige um alto nível de imobilização de capital e esse valor só retorna para o investidor em um prazo longo (normalmente entre 8 e 10 anos). Para diminuir os riscos ao longo desses anos e aumentar as chances do hotel trazer a rentabilidade esperada, há algumas recomendações simples sobre como estruturar um investimento hoteleiro. São elas:
• Análise de viabilidade – um novo projeto deve passar por um estudo formal de mercado, que trará as informações necessárias para uma análise de viabilidade econômico-financeira. Certifique-se de trabalhar com profissionais com boa reputação no mercado, caso contrário será apenas desperdício de recursos.
• Demanda forte e diversificada – hotéis em cidades com economia forte e diversificada estão menos sujeitos a oscilações decorrentes de queda ou crise em algum setor específico. Cidades muito dependentes de turismo internacional, por exemplo, têm sofrido com a baixa cotação do dólar.
• Mercado hoteleiro médio ou grande – mercados hoteleiros pequenos (menos de 1.000 quartos, por exemplo) apresentam mais riscos relacionados com um aumento de oferta. Nesses casos, quaisquer dois novos hotéis que inaugurem trazem um forte risco de queda nas taxas de ocupação.
• Barreiras à entrada de novos competidores – cidades e regiões que apresentem escassez de terrenos disponíveis para novos empreendimentos dificultam a entrada de novos competidores e isso resguarda o mercado e torna as expectativas de lucro mais confiáveis.
• Boa localização – o acesso ao hotel deve ser fácil e intuitivo. Seu entorno deve ser agradável e provido de bom comércio e serviços. Além disso, a construção deve ser visível das principais vias de trânsito local.

• Produto certo – é importante entender a vocação do terreno e da cidade para definir o produto hoteleiro correto em termos de porte, padrão e equipamentos. Além disso, uma marca forte ajuda a manter patamares de desempenho razoáveis mesmo em momentos de baixa.
É evidente que nem sempre será possível se resguardar em relação a todos esses elementos. De fato, é importante controlar os aspectos que estão ao seu alcance. Caso alguns desses aspectos não possam ser ajustados, considere evitar o projeto ou procure níveis de rentabilidade maiores, para justificar o maior nível de risco.
Por Cristiano Vasques, sócio da HotelInvest