quarta-feira, 16 de novembro de 2011

HOTELARIA NÃO É PARA AMADORES!!!




Previsível e melancólica, a cena se repete em vários pontos do Brasil, principalmente no interior do País. Um empresário bem-sucedido em alguma atividade considerada menos nobre resolve diversificar e abrir um hotel de luxo por sua conta e risco.
Mais preocupado com status social do que na viabilidade do empreendimento, primeiro ele cria um megaempreendimento, e depois vai atrás dos hóspedes. Algo que não acontece. Com a ocupação bem baixa, desesperado, o empresário procura, então, ajuda profissional para salvar o investimento.
Geralmente, não há o que ser feito. Claro que sempre surge um gênio de plantão que sugere transformar o empreendimento em hotel de negócios, de olho também no rico filão dos eventos.
Sem qualquer vocação para a atividade, as chances de que o projeto dê errado são imensas. E agora, José – não teria sido melhor primeiro planejar e depois executar?

É para evitar situações como essa que os investidores profissionais costumam contratar previamente consultorias imobiliárias especializadas em hotéis como a de Caio Calfat, que já realizou mais de 100 trabalhos em todo o País desde que sua empresa foi fundada, em 1996.
Engenheiro civil com mais de 30 anos de atuação e diretor do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Calfat destaca que nenhum hotel de negócios deveria existir sem atender pelo menos alguns critérios básicos, como localização, acesso, avaliação do entorno, proximidade de pontos de atração, análise da demanda e da concorrência, entre outros.
Para cada projeto sob sua responsabilidade, ele só dá sinal verde depois de avaliar a qualidade do produto, o que inclui estudo do mercado, pesquisas e análise de viabilidade econômico-financeira do empreendimento.
No caso da hotelaria, quase sempre isso exige se hospedar de forma anônima em hotéis concorrentes, observando as condições físicas e testando a qualidade dos serviços do empreendimento. Somem-se a isso fatores como taxa de ocupação e diária média, que são pesados durante o extenso procedimento que começa pelo levantamento do mercado, passa por entrevistas com os geradores de demanda dos consumidores e suas necessidades, até concluir o estudo com recomendações. "Esse trabalho é uma combinação de metodologia e arte", resume Calfat.

Nesse exercício, um dos itens mais críticos é a definição do público-alvo do hotel. É que na cidades brasileiras, quando se trata de volume, a maioria dos hóspedes em viagens de negócios geralmente se enquadram na faixa econômica ou supereconômica (algo como uma a duas estrelas, se essa classificação existisse no País).
Ao final, o investidor receberá uma estimativa da rentabilidade mensal, a taxa de retorno, a avaliação econômica do negócio e uma projeção do valor patrimonial do hotel após dez anos de operação (diferentemente das habitações e produtos comerciais, os  hotéis –  desde que bem administrados – têm valorização imobiliária com o tempo).
Portanto, para quem não quer ficar com um mico na mão, é bom resistir à tentação de fazer hotel por conta própria. É só repetir o que já é rotina obrigatória nas grandes redes hoteleiras: contratar uma consultoria hoteleira especializada.

HOTELEIRO OU DONO DE HOTEL?



A Copa do Mundo de 2014 no Brasil está cada vez mais na pauta dos principais veículos de comunicação. Seja com notícias positivas e de investimentos corretos - são poucos os casos -, seja com informações sobre uso de dinheiro público, falta de transparência nas contas e atrasos. Infelizmente, a maioria das manchetes.

Leio constantemente sobre investimentos de grandes hotéis em reformas e adequações com foco em um hóspede exigente que vem por aí. Esses estabelecimentos de grande porte ficam nas cidades sedes já definidas e em outras um pouco menores, que são chamadas pela FIFA de subsedes. Eles investem com fôlego e confiança de quem entende do negócio que gerem. Porém, ainda não há uma lista oficial de quais subsedes serão as escolhidas, apenas algumas pré-selecionadas.            

O que poucos se lembram neste momento é que as cidades menores, as de praia principalmente, também serão muito procuradas por turistas, sejam brasileiros ou estrangeiros. Neste aspecto, as pousadas irão se transformar em uma das maiores opções de hospedagem nessas regiões. E aí é que mora o perigo. Não basta ter conforto ou um belo projeto – é preciso oferecer um serviço de qualidade para não causar insatisfações ou saias justas. E, às vezes, o problema mora na própria pousada: o dono!

É isso mesmo. Não raro o proprietário confunde a administração do estabelecimento com sua casa de veraneio particular. Em geral, esse empresário nunca trabalhou com hotelaria, não fez nenhum tipo de curso de capacitação e sequer viajou muito, conhecendo diversos tipos de pousadas na pele de hóspede para ter parâmetros ao montar seu próprio negócio. Entretanto, esse cara sempre acreditou que a “pousadinha na praia” era a melhor escolha para ter uma renda, longe da capital, depois de aposentado. Ele reluta em perceber que precisa se comportar como um bom funcionário da sua pousada e não como um hóspede cheio de privilégios e com poucos deveres.

Em vários trabalhos atuando como cliente oculto tive experiências desagradáveis com os donos do local onde me hospedava. Há aqueles que ficam andando à vontade, em trajes de banho, pelas dependências. O que pede para a cozinha preparar algo diferenciado – e geralmente mais apetitoso - para si e não disponibiliza o mesmo tipo de alimento para os hóspedes, que observam tudo de perto. E até uma ocasião em que havia um enorme rottweiler à solta, afinal, era o cachorro de estimação da família. Tudo bem, o cão era mais dócil do que um gatinho, mas seu porte assustava e nenhum hóspede deveria passar pelo constrangimento de viver situações assim.   
Contudo, o tipo de hoteleiro amador mais comum é aquele que acha que está em férias permanentes. Ele se senta em uma das mesas da piscina e fica tomando cerveja o dia inteiro, enquanto observa, satisfeito, os filhos, netos e amigos – todos convidados para o final de semana, claro - se esbaldando na piscina. Nesse meio tempo, os clientes que pagaram para estar ali disputam espaço com sua família e não conseguem desfrutar nem de diversão, nem de descanso.  Há, inclusive, aqueles que recebem os amigos na sala de TV para torcer pelo time de coração! Tudo regado a gritos, palavrões e vuvuzelas!

Uma das cenas mais insólitas, de quando ainda estava no Guia Quatro Rodas, reflete bem esse exemplo. Estava em Paraty, no Rio de Janeiro, e me identifiquei para o dono da pousada como jornalista. Ele estava dentro da piscina e lá ficou, nem teve a boa vontade de sair para passar as informações de seu estabelecimento. Será que ele trataria um hóspede com dúvidas da mesma maneira? Claro, tudo isso pode ser chamado de amadorismo, mas em muitos casos, o proprietário não enxerga o que está fazendo de errado. Age por naturalidade e não por maldade. Um simples teste de cliente oculto serve para apontar essa falha gritante. Por incrível que pareça, já tive casos em que o dono não acreditava que atitudes como as citadas acima incomodassem tanto os hóspedes.

Espero que a Copa do Mundo do Brasil possa ter um resultado tão positivo para o setor hoteleiro quanto alguns acreditam. Ainda acho que muitos crêem que a “hospitalidade brasileira e a nossa simpatia” farão com que os turistas esqueçam ou deixem de reclamar dos problemas. Não é assim que devemos pensar se queremos nos tornar uma grande nação e um país que fatura muito com o turismo como um dos carros chefes.

fonte: revistahoteis.com.br byMarcos Galvez

DONOS DE HOTÉIS QUE ACHAM QUE PODEM SER HOTELEIROS



Esta semana recebi um telefonema que muito me deixou triste, trata-se de um recém “hotel de luxo” que acabara de abrir as portas -  recém inaugurado.
Ao descobrir de quem era o hotel, para minha surpresa é de uma família daquela cidade que tem outros hoteizinhos.
E claro, como hoteleiro fui visitar o hotel, verificar quem era o gerente-geral, etc. para minha surpresa o gerente geral é o antigo gerente da fazenda dos investidores, ou seja o “Zezinho faz tudo”um rapaz que trabalha a muitos anos com a família e por ser  “braço direito”, de confiança”  e que já ajudava nos outros  dormitórios, a proprietária colocou o mesmo para gerenciar um hotel, pasmem!

Pois bem, esses investidores aos quais me inspiraram escrever, que, mesmo não tendo a menor necessidade, querem se intrometer no dia-a-dia operacional de um hotel que é gerido por um excelente profissional. Chegam ao ponto de humilhar, desmandar, passar por cima e ter o ímpeto em dizer ao gerente geral, que tem anos de janela, corredor, escadaria, etc, que a maneira que ele administra não está correta.
Investidores que se julgam no direito em contra-argumentar anos de experiência de profissionais que dirigem dezenas de hotéis… Investidores que em menos de 24 meses se julgam sabedores de técnicas de marketing e operativas, sem ao menos terem feito um cursinho semanal no senac. Investidores que sentem a necessidade da busca pelo poder, que são seduzidos pelo glamour ilusório da potencialidade masculina.

As redes, por sua vez, tem que agir com diplomacia e preocupar-se com a imagem, mas conhecendo bem o meu amigo, a vontade dele seria chutar o balde…

Palmas para as redes que sabem ainda se manter donas de seus negócios e que preferem ter patrimônios, do que serem simples coadjuvantes.