Hotel Copacabana Palace , Rio de Janeiro, e um pouco de historia




            
           

O Hotel Copacabana Palace foi construído entre 1917 e 1923 e inaugurado em 13 de agosto de 1923 como resultado de um desejo comum do Presidente Epitácio Pessoa e do hoteleiro Octávio Guinle em construir no Rio de Janeiro um hotel digno para receber autoridades e personalidades estrangeiras que viriam ao país para a comemoração do Centenário da Independência, em 1922, com grande pompa além de consagrar-se pela sofisticação dos serviços e o esplendor da localização em frente à Praia de Copacabana, até então ainda semi-deserta e desconhecida.
   
Seriam concedidos benefícios fiscais, bem como a licença para nele funcionar um cassino, este último uma exigência dos Guinle. A proposta foi aceita e essa é a origem do Hotel Copacabana Palace. Octávio Guinle adquiriu então um alqueire de terras na Praia de Copacabana, que naquela época ainda era ocupada apenas por algumas poucas casas. O terreno dava frente para a Avenida Atlântica, alargada em 1919 por pelo Prefeito Paulo de Frontin. O Hotel não ficou pronto para a Exposição de 22. Diferentes fatores contribuíram para o atraso das obras, como: as ressacas e a dificuldade de construção de um edifício daquele porte em solo arenoso.

Projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire, a construção do Copacabana Palace foi feita pelo engenheiro brasileiro César Mello e Cunha. Com a planta perfeitamente acadêmica e simétrica, o que resolvia de modo prático os principais problemas funcionais do complexo, por ser um hotel de alto luxo e de um cassino, que depois da proibição do jogo na Brasil, serve como espaço cultural, que se inspirou no Hotel Negresco de Nice e no Hotel Carlton de Cannes com estrutura sóbria e imponente, empregou, em larga escala, o cimento da Alemanha, o mármore de Carrara, na Itália, os vidros e os lustres da Checoslováquia e os móveis da França e cristais da Boémia. A decoração era em estilo Luís XVI, mas tratava-se apenas de revestimento aplicado sobre estrutura oculta. À época da inauguração foi o primeiro grande hotel na praia de Copacabana, estando cercado apenas de pequenas casas e mansões. Desde a sua inauguração, o hotel teve apenas dois proprietários, a família Guinle do Rio de Janeiro, e o grupo Orient-Express Hotels, que o adquiriu em 1989.


Na noite de estréia, deveria ocorrer um show com a artista francesa Mistinguett, mas seu contrato com o Teatro Lírico a proibiu.


  

O Presidente Arthur Bernardes, sucessor de Epitácio Pessoa, tentou em 1924 cassar a licença de funcionamento do cassino, alegando que a construção do Copacabana Palace já teria ultrapassado o prazo dado pelo Governo. Depois de prolongada batalha nos tribunais, a família Guinle ganhou a causa em 1934.


Nos primeiros dez anos de vida, o Copacabana Palace presenciou eventos históricos e dramáticos.

Ainda na fase da sua construção, o Copacabana Palace sofreu os efeitos da terrível ressaca de 1922, que lhe destruiu toda a Avenida Atlântica e danificou seus andares inferiores.

Em 1925 hospedou a primeira personalidade mundial: o cientista Albert Einstein.

Num dos luxuosos salões do Copacabana Palace, em 1928, foi atingido por um tiro o Presidente Washington Luís dado por sua amante francesa durante uma briga. O Presidente Washington Luís foi socorrido pelo médico Francisco de Castro e o episódio abafado. Ainda em 1928, hospedou-se no Copa, em profunda crise de depressão, o inventor Alberto Santos Dumont, em 3 de dezembro de 1928, Santos Dumont voltava ao Brasil à bordo do navio Cap Arcona e vários intelectuais e amigos do inventor planejaram prestar-lhe uma homenagem. Pretendiam lançar uma mensagem de boas vindas em um paraquedas e estavam todos à bordo de um hidroavião batizado com o nome do Pai da Aviação. Depois de uma manobra desastrada, o avião que jogaria pétalas de flores em seu barco bateu na água, na Baía de Guanabara e explodiu, matando seus doze ocupantes, entre eles vários amigos de Santos Dumont, tais como Tobias Moscoso, Amauri de Medeiros, Ferdinando Laboriau, Frederico de Oliveira Coutinho, Amoroso Costa e Paulo de Castro Maia. Santos Dumont fez questão de acompanhar por vários dias as buscas pelos corpos, após o que recolheu-se, primeiro a seu quarto no Hotel Copacabana Palace, depois a sua casa em Petrópolis, onde entrou em profunda depressão. Após algum tempo, voltou a Paris, internando-se em um sanatório nos Pirineus.


                                      Yolanda Pereira a primeira Miss Universo no Copacabana Palace    


No tempo em que as misses ainda não mostravam as pernas, o Copa serviu em 1930 de palco para o primeiro concurso de Miss Universo no qual as candidatas desfilavam em carro aberto pela cidade e utilizavam a varanda do hotel como passarela, sob os aplausos de uma multidão aglomerada na avenida Atlântica. Yolanda Pereira (Pelotas, 16 de outubro de 1910 - Rio de Janeiro, 4 de setembro de 2001) foi a primeira brasileira a conquistar o título de Miss Universo, em 1930.

“ É a brasileira, em sua mais lata e justa personificação. É uma rima de canção cabocla encarnada num corpo de mulher. Seu moreninho mate é a cor que deve ter toda a patrícia para ser bem brasileira. O Brasil vive-lhe nos olhos irrequietos e fascinadores. Canta-lhe no riso franco e menineiro. Mora no negrume encaracollado de seus trevósos cabellos. Toda ella é Brasil. O desprendimento, a grandeza d’animo, a galanteria brasilica, tudo vive nella, elevando-a a Symbolo da Raça. Salve Yolanda! Salve, “Miss Brasil”! Cem vezes, salve, “Miss Universo”!

* Texto original, extraído do Álbum do Concurso Internacional de Beleza.

A primeira etapa, o título de Miss Pelotas, foi conquistado através do sufrágio popular, tendo ela sido a candidata mais votada, com 4.202 votos. Em Porto Alegre, concorrendo com as demais candidatas, sagrou-se Miss Rio Grande do Sul, em concurso patrocinado pelo extinto jornal Diário de Notícias. Na então capital federal, o Rio de Janeiro, embora não alimentasse esperanças de vitória, ela foi escolhida como a Miss Brasil. O concurso de Miss Universo, chamado na época de "Concurso Internacional de Beleza", também foi realizado no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. O país tinha seus jurados em desvantagem, e o resultado final estava na dependência dos jurados europeus, sendo que a favorita era a Miss Portugal. Mas, para alegria dos brasileiros, a escolhida foi Yolanda. Em agosto de 1930 (algumas fontes indicam o dia 7 de setembro) Yolanda foi proclamada Miss Universo. O parecer da comissão julgadora levou em conta quesitos como beleza, graça, equilíbrio, proporção, formas e distinção. Os jurados também estiveram atentos ao tipo étnico e à visão do conjunto. Yolanda recebeu a faixa das mãos de Felipe Cardoso, vice-presidente do Conselho Ministerial. O promotor do concurso era o vespertino carioca A Noite, a quem Yolanda concedeu a primeira entrevista, falando de sua surpresa pelo resultado. Disse que não esperava, que não alimentava tal ambição e que apenas se preocupava com o desejo de desempenhar da melhor maneira possível o papel de Miss Brasil.

Um cronista da época chegou a escrever: "Não foi, apenas, a vossa beleza que venceu e que vos faz universal como Einstein e tão cheia de glórias como Lindenberg. O que venceu convosco, Miss Universo, foi a graça radiosa da mulher brasileira."
   



O Príncipe Edward de Gales, futuro Rei Edward VIII da Inglaterra, e seu irmão George, igualmente futuro rei britânico, se hospedaram no Copa em 1931. Edward criou um rumoroso episódio constrangedor para a Família Real Britânica ao se apaixonar por uma jovem brasileira, Negra Bernardez, desquitada e mãe de dois filhos, a qual ele queria levar de todo o jeito para a Inglaterra e com ela se casar. Em seus arroubos, chegou a intentar um vôo num avião experimental trazido desmontado em seu navio para impressionar sua amada, jogando-lhe flores do alto sobre sua casa, no que foi dissuadido por seus assessores. Não se refez do episódio, tomando "homérico" porre e jogando-se todo fardado na piscina do Country Club de Ipanema. Anos depois, Edward, já Rei da Inglaterra, renunciaria ao trono para casar com a desquitada americana Lady Simpson, com quem viveu o amor de sua vida. Quanto à Negra Bernardez, a mulher que recusou ser rainha da Inglaterra, era mãe do famoso colunista social Manuel Bernardez Müller (Maneco Müller).

Em 1933 o Copacabana Palace seria conhecido internacionalmente por um filme realizado em Hollywood, "Flying down to Rio", com Dolores Del Rio, Fred Astaire e Ginger Rogers, ambientado no hotel, mas todo realizado em estúdios nos Estados Unidos, com cenários pintados do Rio de Janeiro e a praia de Malibu "dublando" Copacabana. O filme foi um sucesso e considerado um marco do cinema, já que nesta película dançou junto pela primeira vez o célebre casal Fred Astaire e Ginger Rogers, tornou o hotel famoso mundialmente da noite para o dia.

Em 1934, foi construída a piscina do hotel, em projeto de César Mello e Cunha, depois ampliada em 1949.

Em 1938 inaugurou-se o "Golden Room", com show de Maurice Chevalier.
   

A Segunda Guerra Mundial tornou o Copacabana Palace o único hotel de turismo de porte capaz de hospedar a elite internacional sem sofrer do perigo de um bombardeio. Foram os anos áureos do hotel. A política de boa vizinhança para com os Estados Unidos, estabelecida em 1942, fez com que grandes personalidades daquele país nos visitassem e se hospedassem no Copa. Praticamente todos os grandes atores de Hollywood se hospedaram nele: Clark Gable, Edward G. Robinson, Fred Astaire, Dolores Del Rio (finalmente no Copa!), Katerine Hepburn, Lana Turner, Marlene Dietrich (que realizou show memorável em 1959), Orson Welles (que "morou" seis meses no hotel em 1942, e que num acesso de fúria por ter sido preterido pela atriz mexicana Dolores del Rio, jogou os móveis de seu quarto na piscina...), Walt Disney (que nele esboçou o personagem "Zé Carioca"), Josephine Baker (que manteve encontro furtivo com Le Corbusier), e muitos outros.

Após a guerra, com a proibição do jogo e com o fechamento dos cassinos (a última partida de roleta no Brasil foi realizada no cassino do hotel Copacabana Palace, em 30 de abril de 1946), o Copacabana Palace passou por um grande reforma, que aumentou a capacidade, acrescentando dois andares ao prédio principal, mais a pérgula lateral, que se tornou ponto de encontro da sociedade brasileira e estrangeira, e ergueu-se o Anexo nos fundos, inaugurado em 1949. No antigo cassino foi instalado o Teatro Copacabana, responsável pelo lançamento de muitos talentos da dramaturgia nacional. O responsável pela reforma do Copa foi o arquiteto Wladimir Alves de Sousa, que soube preservar a ambiência antiga do hotel.

O Anexo tornou-se logo lugar não só para residência de hóspedes ilustres, como também para encontros furtivos importantes, pois existia uma elaborada passagem subterrânea, por detrás do salão de cabeleireiro, que conduzia quem não quisesse ser visto daquele lugar até o anexo. Devem ter sido encontros extremamente apaixonados, pois pelo menos dois amantes morreram do coração, um deles importante senador da República por São Paulo e outro um respeitável banqueiro carioca...

Quem quase morreu no Copa, mas de coração partido, foi Carmem Miranda, arrasada pelo fracasso de seu casamento. Carmem trancou-se em seu quarto em dezembro de 1954 e pensou seriamente em se matar, desistindo após olhar a bela paisagem da orla de Copacabana da janela de sua suíte. Carmem, aliás, seria muito mais lembrada pela alegria que exarava em seus shows no Golden Room que por este episódio, que com o tempo lhe levaria à morte em agosto de 1955.

Os anos cinqüenta foram o canto-do-cisne da fase áurea do Copacabana Palace, que entra em lenta decadência após a transferência da capital para Brasília em 1960.

Continuou como um importante hotel da cidade, servindo de pouso a visitantes ilustres do Rio de Janeiro (como os astronautas da Apolo 11), palco da vida social da cidade, onde famosos cronistas sociais iam buscar matérias para suas colunas, mas sem superar o brilho e a energia dos áureos tempos e pela disputa dos novos hotéis da obra de transformação e alargamento da orla de Copacabana recém-inaugurada, na década de setenta.

Em 1985, quando intentaram sua demolição, foi tombado pelas três esferas: IPHAN (Federal), INEPAC (Estadual) e DGPC (Municipal). Em fins da década de oitenta a família Guinle, na figura de seu herdeiro e presidente José Eduardo Guinle, vendeu-o em 1989 ao grupo "Orient Express", que o reabilitou, modernizando velhas instalações sem descaracterizá-las. Atualmente o Hotel Copacabana Palace é um dos mais importantes estabelecimentos hoteleiros da cidade, com modernas 236 acomodações palacianas e dos mais queridos bens culturais do Rio de Janeiro, local de confluência de vários episódios importantes do século XX, sendo preciosa lembrança de uma época de fastígio e esplendor, único bem deste gênero sobrevivente na cidade.

O Copacabana Palace ocupa uma área de mais de 12 mil metros quadrados em no ponto mais nobre da Praia de Copacabana, um piano bar, com dois restaurantes: o Pérgula, situado ao lado da piscina, onde os hóspedes podem tomar café da manhã, almoçar e jantar, e o Cipriani, já cotado entre os melhores da cidade, que oferece o melhor da culinária do norte da Itália. O restaurante, que também tem um bar, está localizado no andar térreo do Prédio Anexo, de onde se pode ver a piscina do hotel. São 225 apartamentos e suítes, sendo 147 no prédio principal e as 78 suítes no anexo, todos de luxo e equipados com vidros à prova de som, ar-condicionado, banheiro com ducha, TV com controle remoto, telefones com duas linhas e discagem direta internacional, conexão para fax ou computador, mini-bar e cofre individual. De acordo com o desejo do hóspede, a cama pode ser King-size, casal ou solteiro. No Anexo, as suítes, de 70 metros quadrados, são equipadas com colchões Sealy, enxoval com acabamento de alto padrão Trussardi 300 fios, têm banheiros com cerâmica italiana, varandas privativas, roupões de banho e pantufas.

Os mais exigentes podem dispor ainda de uma das sete suítes do sexto andar, que tem uma piscina exclusiva, totalmente negra, cercada por treliças brancas, com vista privilegiada para a praia de Copacabana. Completam o luxo desse andar privativo, tecidos franceses, obras de arte e tapetes orientais (foi nessas suítes que ficaram entre outros Lenny Kravitz e os Rolling Stones.

E mais sofisticação se faz presente na infinidade de detalhes entre os quais destacamos que o Copacabana Palace possui aroma único (o "cheiro de Copacabana Palace") desenvolvido exclusivamente para suas instalações; caixas de bombons personalizadas com os nomes dos hóspedes (que, aliás, são chamados pelos nomes por todos os funcionários); marca de água mineral própria; e dispõe serviços de cabeleireiro, massagistas, fitness center, florista, butique, uma piscina semi-olímpica aberta 24 horas (com água climatizada), quadra de tênis e solarium, além de uma base avançada nas areias da praia de Copacabana.

Alguns hóspedes ilustres que assinaram no Livro de Ouro do hotel são: Santos Dumont, Noel Coward, Igor Stravinsky, Stefan Zweig, Henry Fonda, Errol Flynn, Walt Disney, Bing Crosby, Orson Welles, John Wayne, Ava Gardner, Leonard Bernstein, Einsenhower, Vincent Minelli, Gene Kelly, Roman Polanski, Alain Delon, Príncipe Charles, Henry Kissinger, Franco Zefirelli, Jacques Costeau, Richard Gere, Mick Jagger, Jerry Hall, Sting, Ben Kingsley, George Michael, Lady Diana, Winnie e Nelson Mandela, Roger Moore, Michael Schumacher, Francis Ford Coppola, Robert de Niro, Calvin Klein, Susan Sontag, Peter Greenway, Stephen Frears, Brian de Palma, Mickey Rourke, Michelangelo Antonioni, Liza Minelli, Jean Claude van Damme, Patrick Swayze, Givenchy, Oscar de la Renta, Anne Rice, Mathew Modine, Bill e Hillary Clinton, Pierce Brosnan, Claudia Schiffer, Catherine Zeta-Jones, Jean Paul Gaultier, Anthony Quin, José Saramago, Ricky Martin, Anthony Hopkins, Gisele Bundchen, Philip Starck, Valentino, Lenny Kravitz, Tom Wolfe e Carmem Miranda.

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