O QUE OS CURSOS DE HOTELARIA NO BRASIL ESTÃO ENSINANDO AOS FUTUROS HOTELEIROS?



A hospitalidade, enquanto campo de estudo acadêmico, é bastante recente. O termo usado por vários estudiosos descreve a hospitalidade como o estudo de atividades de hotelaria e catering. Outros preferem ampliar o leque de definições e explorar a hospitalidade como atos de recepcionar, hospedar, alimentar e entreter pessoas.

Muitos cursos têm um amplo espectro de ensino. Como resultado, os educadores são confrontados com um dilema: deve o curso ser orientado para habilidades técnico-profissionais voltadas à oferta de serviços de alimentos e bebidas, hospedagem, técnicas de coordenação de equipes de trabalho ou deve o currículo ser orientado para o gerenciamento de negócios?

A formação deste profissional pode tanto por cursos de bacharelado quanto tecnólogos. O primeiro mescla matérias teóricas e práticas, com uma formação mais generalista, por incluir matérias como contabilidade, filosofia, comunicação e expressão, marketing, gestão financeira, geopolítica e economia mundial, entre outros.
O que responde  muitas dúvidas tais como; se o aluno ao se formar  já entrará no mercado de trabalho como um gerente  geral e/ou assumindo uma posição superior dentro de uma organização, ou terá um salário maior, etc.
Procuro  demonstrar que a ênfase no aspecto operacional proposto pelos atuais currículos nos cursos de hotelaria no Brasil apresenta fraquezas, que podem vir a se refletir em todo o desempenho do setor, na medida em que não se está formando adequadamente os recursos humanos necessários para dar suporte ao avanço e aprimoramento da atividade.
O próprio histórico traçado da concepção e evolução dos cursos atualmente existentes permite perceber que a ênfase no treinamento operacional foi o foco prioritário, tendo inclusive tido sua origem no desenvolvimento de treinamentos realizados nos próprios locais de trabalho.

Importante ressaltar que, do simples treinar para realização da tarefa, o conceito de treinamento pode contemplar atributos que possibilitem às pessoas aprofundarem seus conhecimentos dentro de uma organização também voltada e aberta ao conhecimento.

Diante desse panorama, o potencial humano poderá contribuir de forma incalculável, a partir do momento em que compreender que o conhecimento é uma riqueza pessoal e um recurso importantíssimo quando compartilhado e democratizado na organização. Transformar dados em informações, informações em conhecimentos e conhecimentos em planos de ação e, conseqüentemente, em resultados pessoais, coletivos, comerciais e financeiros certamente coloca o potencial humano como principal agente facilitador na eficácia organizacional, com conseqüentes ganhos para si mesmo, à equipe de trabalho, à comunidade e ao cenário nacional e internacional mais amplo.

O que se espera do profissional de hotelaria é a consciência da cidadania e a manifestação de sólidos princípios éticos em sua atuação no mercado. E as Instituições de Ensino Superior deveriam garantir ao estudante uma formação mais humanista que o habilite a compreender o meio social em que está inserido e também uma formação técnica específica para desenvolver competências para implantar soluções inovadoras e criativas, com capacidade crítica e reflexiva.

Pensar no ensino da hospitalidade é pensar em perceber a necessidade das pessoas de acolhimento, de ser bem recebido e de estabelecer relações sócio-afetivas. O atendimento de necessidades como acolhimento e recebimento não podem ser realizadas de forma estritamente comercial.

Quando se ensina para o turismo e a hospitalidade é preciso considerar que os seres humanos precisam uns dos outros para sobreviver e esta necessidade do outro implica em uma abertura ao acolhimento, à convivência, à troca.

A preocupação imediata ainda não está voltada para a consciência crítica dos alunos, tampouco para o desenvolvimento do pensamento crítico, mas exclusivamente para o futuro profissional. Na elaboração dos planos de estudo, com freqüência se esquece que devemos desenvolver no indivíduo o espírito de aprender, de ser criativamente funcional para enfrentar as novas situações deste setor tão dinâmico.

O domínio técnico pode trazer destreza na realização de certas funções, porém, ter destreza não significa receber bem e ser hospitaleiro. Hospitalidade não é algo premeditado, é um conceito que está nas entrelinhas e pode ser caracterizado como acolhimento e flexibilidade de relacionar-se com o outro. E as universidades ainda estão preparando os indivíduos para o domínio técnico. A percepção é que não se enfatiza a hospitalidade e o que reflete no final do dia para o hóspede, é a capacidade de ser um bom anfitrião.


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