segunda-feira, 29 de outubro de 2012

HOTEL OU DORMITÓRIO?




Com o advento da copa do mundo, a mídia a todo instante enaltecendo esse mercado  que cresce continuamente, os investidores não perdem tempo e oportunidade de ganhar dinheiro.
Vamos falar das cidades do interior, aquelas que tem potencial e perspectiva de crescimento.

O  "empresário" que tem seu comércio, seja uma padaria, uma fazenda, um loja de material de construção, começa a perceber que hotel  “ dá dinheiro”, de maneira subjetiva  questiona que na sua cidade os hotéis estão sempre lotados, pois o hotel de fulano sempre  está cheio e supostamente está ganhando rios de dinheiro.

Esse empresário que não é do ramo, aliás  nunca se hospedou em um hotel chama um arquiteto e pede  pra desenhar um projeto de hotel, pois já que tem um terreno  ocioso  lá  na rua x,  por que não construir  alí um hotel? Em seguida  vem a sra esposa e diz: 

“ Ah!  Eu quero meu hotel com os enxovais  tudo  azul!” e segue: “ Ah  mais pede para o  arquiteto  fazer uma varandinha, e as cortinas tem que ser cor azul celeste pra combinar com o enxoval da cama”.

E dessa forma vai sendo construído o dormitório que depois o batizam de hotel.
Chega o final de semana e esse empresário reúne a família, o papagaio, o cachorro, os filhos e mais alguns amigos  pra um churrasco  na  sua fazenda e lá começa a discussão  pra decidir qual o nome do hotel. As sugestões  são das mais absurdas possíveis:
- Ah! coloca  hotel Santo Antônio, pois hoje é dia dele.
- Ah! Eu acho  bonito  esse: Hotel Nova Jesuralem, aliás tudo que tem nome de Deus é bom e vai dá sorte.
- Ah! Não,  eu acho bom esse Hotel Jesus Cristo, pois  será um hotel abençoado.
- Ah! E que tal esse, Hotel The Eduard’s, afinal  é o nome do dono. 
E depois de vários “pitacos e sugestões “, deram   nome ao dormitório.

O arquiteto desenha o prédio  com detalhes de modernidade até parece um prédio do ano 2080, só o prédio porque  a rua  ainda não tem nem saneamento básico, e tudo fica perfeito, no papel.

E depois de alguns  meses, lá está  o prédio que mais parece  uma nave espacial de jornada das estrelas,  um objeto estranho no paisagismo urbanístico no meio dos barracos, a lá favela.

Pronto!  Cheio de orgulho de ter construído o prédio mais moderno da cidade, agora  é só comprar os moveis;
- Ah!  Vou falar  com o  “ seu Zezinho”, o marceneiro da cidade  que é muito meu amigo e ele vai fazer um precinho bom pra mim.
- E seu Zezinho é convidado pra desenhar  os moveis do hotel, a começar  pelas camas que devem ser de madeira de lei, pois  precisa  ter o lastro  bem forte pra agüentar  os fregueses”. 
Acontece  que este  empresário não conhece  uma cama boxe, ainda vive na idade média  e é bem possível que na sua casa  ainda dorme  em uma cama com colchão de  espuma e lastro de madeira. Não sabe  ele  que existe  hoje  empresas  especializadas  em fornecer todo mobiliário  para hotelaria.
- Ah,mais alguém chega  pra esse empresário e fala! O senhor deveria  colocar  camas boxes! E ele responde; “ imagina  é muito caro!  O seu Zezinho ta  fazendo  um preço bem bão”.

E assim, aos poucos  o dormitório vai ganhando vida, e  precisa  definir  as tarifas;
- “Bem, como meu hotel  tem uma TV de 40 polegadas nos quartos, é mais novo  que os outros, no hotel de fulano ele cobra tanto, então vou cobrar tanto” e  assim define-se o preço da diária do "hotel".
- A esposa do dono – “Ah!  Eu quero que os quartos sejam  todos com tons de amarelo pra combinar com as  cortinas”, e assim seja feito a vossa vontade!
- O Dono – “Amoooo, quem tu achas  que vai dar certo pra ser gerente do nosso hotel?
- “Eu tava pensando no filho da dona Maria, eu soube que ele está procurando emprego, ele trabalhou com dr. Cicrano por mais de dez anos na loja de material de construção, eu acho ele um rapaz bom, honesto e vai casar  logo, acredito que vai dá certo.” E  assim foi nomeado o Gerente Geral.

Logo, muito em breve abrirão as portas do dormitório e precisa formar a equipe operacional. E começam a chegar os amigos, família e parentes pedindo  uma  oportunidade de emprego.
- Ah!  Coloca  a filha do “seu” João porque  é um baita  mulherão, muito bonita pra atender os  hóspedes  na recepção”.
- Ah! Arruma uma  vaguinha pro sobrinho do seu Zezinho, ele está  desempregado, é muito trabalhador”
- Bom, pra subgerente coloca  o genro, porque ele vai ficar de olho...”

E assim  está pronto o novo “empreendimento Hoteleiro”, ah,  mas  faltou   fazer  o site  do hotel!
- Amoooo,  chama  o Juninho – sobrinho-  ele  gosta muito de computador e entende de internet,  tira umas fotos do hotel e da  pra ele  fazer  o site.” E  assim, é feito o site  do hotel.

E finalmente,  abre-se as portas do mais novo “ hotel” da cidade. Meses  depois, os problemas aparecem como pragas. O empresário se queixa, não sabe por que seu hotel mesmo sendo novo não está lotado. Por final, encontra  a solução; baixar as tarifas, e claro, a clientela  vem correndo; caminhoneiros, camelôs, feirantes, potenciais clientes pra esse tipo de pensionato.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

POR QUE O “ HOTEL FAMÍLIA” NÃO DEU CERTO?




Alguns meses atrás, escrevi um texto falando sobre um determinado hotel que acabara de abrir suas portas  ao público, se intitulava  o melhor hotel da cidade, melhor infra estrutura, uma fachada hiper moderna,  criou-se uma  expectativa  de que seria  realmente  o melhor. Porém  não foi isso que aconteceu.

Lamentavelmente, o hotel  encontra-se em péssimas  condições de clientela, baixaram tarifas  como se fosse uma mercadoria qualquer, acreditando que dessa forma atrairiam clientes.

O proprietário  com sua mentalidade retrógada, não se dera conta de que hotelaria  não é pra  amadores. Pensa  que  é só construir o hotel com TV’s de LCD  de 40 polegadas, e os clientes  baterão na porta.

O grave erro desse proprietário foi acreditar na demanda maior que a oferta, ou seja, pensava ela  que clientes  só procuram hotéis novos, e essa demanda  de oferta  caiu, o que é normal para nós hoteleiros  que entendemos a sazonalidade.

A titulo de informação para os  aspirantes  hoteleiros, não repetirem os mesmos erros desse hotel.

Esse proprietário, já veterano  naquela cidade  por já ser dono de hotel, ou melhor dizendo, dono de dormitórios, construiu um grande hotel sem mesmo saber o que é serviços de hotelaria, colocou  um  “ gerente”, que não entende absolutamente  nada de hotelaria, ou seja,  era o seu braço direito, pessoa de confiança da família, como também a interferência dos filhos na administração, fato muito comum na região, onde o  empresário já coloca  a esposa, o filho, o cachorro, o gato,só por que é um membro da família, já o considera  profissional capacitado para gerenciar um empreendimento daquele porte.

Como há de se esperar, o dono está muito preocupado com o desempenho do seu hotel, ocupação não passa dos trinta por cento, muitas  reclamações dos clientes, serviços  hoteleiros  não existe, equipe  completamente despreparada. “Certa ocasião um hóspede do hotel fez a seguinte pergunta:” por que vocês não contrata um profissional de hotelaria? O que não seria surpresa na sua resposta: “ Ah! Mas é muito caro!”. Enfim, já se comentam que esse hotel será vendido, bem como repassar o empreendimento para uma administração terceirizada. Está ai, economia burra é prejuízo.

Tenho visto esse cenário quase que diariamente, aventureiros que tem dinheiro e constrói seus hotéis acreditando que os clientes irão cair de pára-quedas.

A teimosia é tanta, que ficam cegos em não perceber que antes de chamar um arquiteto, a presença de um profissional de hotelaria  é fundamental desde o desenvolvimento arquitetônico, estudos de viabilidade  até o gerenciamento  diário, a experiência, o conhecimento acadêmico faz-se  necessário  para um hotel ter um desempenho satisfatório.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O QUE TODO O HÓSPEDE JÁ REPAROU MAS NUNCA TEVE CORAGEM DE COMENTAR




Nada mais inapropriado que um quarto ou um apartamento de hotel que não esteja esperando pelas férias de seus hóspedes !

A iluminação é insuficiente, gerada por um único ponto central ou por uma luminária acoplada no ventilador de teto, ou ainda composta por lâmpadas fluorescentes, mais conhecidas como lâmpadas econômicas, que são frias e deixam o seu ambiente tão aconchegante quanto uma padaria !

Para acessar as tomadas, é necessário um verdadeiro exercício de musculação, pois os móveis precisam ser arrastados para encontrá-las.
Interruptores mal posicionados, pois não houve um estudo preliminar de layout antes de instalá-los e nenhum interruptor próximo à cama, para proporcionar mais comodidade ao hóspede.

Camas que não possuem arandelas ou criados-mudos para receberem uma luminária de leitura.

As malas tem que ser manuseadas na cama ou no chão, pois não existe um maleiro ou uma banqueta que possa servir de apoio para tal.

O armário não tem espaço suficiente para guardar todas as roupas que ele levou para a sua estada.

Os cabides parecem esquecidos por outros hóspedes ou aproveitados da entrega da lavanderia. Feios e em quantidade insuficiente, perfeitos para fazer com que o hóspede se arrependa de ter levado uma roupa que não seja uma bermuda e uma camiseta.

A TV ainda de modelo antigo, fica pendurada naqueles suportes onde o ato de assisti-la é um verdadeiro exercício de contorcionismo, e o som se propaga com eco de forma tão desagradável que incomoda até os hóspedes do dormitório ao lado.

O frigobar é um objeto solto em um canto qualquer onde exista uma tomada, deixando o hóspede com a certeza de que o eletrodoméstico foi colocado ali às pressas, pouco antes de sua chegada.

A varanda ou o terraço servem para contemplar a vista em pé, em frágeis cadeiras de plástico ou em redes que o hóspede mal tem coragem de se sentar, pois está ali há várias temporadas sem fazer uma visita à lavanderia !

Todos esses itens em conjunto ou separadamente contribuem para que o hóspede não se sinta confortável, acolhido e muito menos encantado com as suas instalações, fazendo com que ele não deseje uma nova estada, independente das suas tarifas.

Como eu sempre digo, o hóspede quer se surpreender, quer se encantar, pois uma viagem é a realização de um desejo.
Vale a reflexão...o seu Hotel está encantando ?

fonte: Cris Jacobsen /Casaehotel

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Motivar Funcionários: A Solução Não é O Que Parece...




Quando o problema é a motivação do pessoal, a solução geralmente passa por duas estratégias: recompensas e estímulos. Criam-se programas em que os funcionários são recompensados por uma boa performance e tenta-se estimulá-los chamando palestrantes que deixam o pessoal pensando que pode furar o céu por alguns dias.

Ambas as estratégias são artificiais. Programas de recompensas geram estresse e, dependendo de suas características, competição entre os funcionários. Também dependem do grau de interesse de cada um na recompensa em si. O maior problema porém, é a falta de envolvimento dos funcionários artificialmente motivados pela recompensa na missão e visão da empresa. Eles estão numa corrida pelo ouro e não pelos objetivos da empresa. Eles não vestem a camisa, não defendem a empresa, não têm orgulho do seu trabalho. Tire a recompensa e você terá funcionários preguiçosos e reclamões, que querem mais recompensas para continuarem dando seu sangue pela empresa.
Palestras motivacionais são ainda mais efêmeras. Todo mundo gosta de ver uma pessoa motivada falando sobre coisas que poucos conseguem realizar ou obter, definir e conquistar grandes metas mantendo um nível de motivação constante, obtendo eficácia máxima em todas as atividades este é um sonho para a maioria dos profissionais. Uma palestra, um workshop ou um grande evento de 1 semana num lugar paradisíaco distante não muda permanentemente os hábitos de ninguém. Os funcionários saem eletrizados, mas essa força motriz emprestada cai por terra assim que a realidade começa a bater à porta novamente o que não demora muito para acontecer.
O que poucos hoteleiros  se dão conta entretanto, é que a motivação não é a solução para os problemas de produtividade. Em empresas conhecidas por sua eficácia como Microsoft, Google ou HP, tem-se a errônea idéia de que os objetivos são alcançados devido ao alto grau de motivação de seus funcionários. Pergunte aos funcionários da Microsoft o que os motiva e você ouvirá respostas como: minha filha recém-nascida, construir um veleiro e dar a volta ao mundo ou publicar um livro. Você não ouvirá nada como: ajudar Bill Gates a manter-se como o homem mais rico do mundo ou contribuir para o lançamento do novo sistema operacional na data prevista. As pessoas estão interessadas e são motivadas pelos seus próprios objetivos, pelos seus próprios interesses, seja na Microsoft ou na lojinha do Zé da esquina. Mas então como os funcionários da Microsoft estão sempre motivados e os funcionários da lojinha do Zé estão sempre reclamando, faltando trabalho, pedindo aumento e fazendo um trabalho mal feito? Humm, talvez se o Zé desse um aumento e oferecesse algumas recompensas para uma boa performance ele conseguiria mais empenho de seus funcionários? Não, ele só estaria entrando num ciclo vicioso em que as recomenpensas deveriam ser constantemente renovadas e jamais retiradas e mesmo assim ele não teria o coração de seus funcionários, o que a Microsoft tem.

O segredo das empresas de alta produtividade está relacionado aos elementos que fazem um ser humano genuinamente contribuir com seu esforço pessoal para a concretização de objetivos seja numa empresa, numa equipe esportiva ou num grupo qualquer. Estes elementos são: clareza, sinceridade, abertura, comunicação, respeito, desafios, recursos e envolvimento. Independente de suas motivações pessoais, qualquer um gosta de sentir-se parte da conquista de objetivos grupais, faz parte da natureza humana. É preciso clareza quanto a quais são estes objetivos, qual o caminho para se chegar lá e disponibilizar os recursos. Também é necessário que a comunicação vertical e horizontal seja límpida, sem segredos e portas fechadas.

Gosto muito de uma frase de Eugen Emil Pfister Jr: Uma centena de indivíduos apenas motivados não move montanhas. Centenas de pessoas organizadas, com planos, conhecimentos técnicos e funções definidas, equipadas com tratores, explosivos, enxadas, picaretas, pás e tempo necessário darão conta do recado, mesmo que muitos, ao acordar, prefiram estar se bronzeando na praia a remover montanhas. Fornecer aos funcionários portanto, o ambiente ideal para a conquista dos objetivos da empresa com todos os recursos necessários, respeitando-os, mantendo uma comunicação clara e límpida e fazendo com que eles sintam-se parte das realizações é o segredo da produtividade, o fim que as empresas equivocadamente tentam atingir através da motivação.