terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

HOTEL OU CASA DE SHOW?

Um erro de alguns gerentes de primeira viagem, quando se depara com a baixa ocupação de suas unidades, seja nos finais de semana,períodos de baixa ocupação, ou mesmo pela ociosidade que o hotel enfrenta, estes iniciantes que na sua maioria são inexperientes e sem mesmo possuírem as habilidades inerentes a profissão,buscam  artifícios para melhorar as receitas contratando bandinhas de fundo de quintal, duplinhas sertanejas, etc.  acreditando que este tipo de evento  atrairá  clientes.

Me hospedei em um determinado hotel que se auto classifica como hotel para executivo, pois bem, numa  determinada tarde, exatamente às 18h, me preparava para uma palestra que faria em uma faculdade próxima. Desci até a recepção para fotocopiar alguns documentos e me deparei com um grupo de pessoas que ali se aglomeravam  no lobby. E naquele momento um som muito alto de música sertaneja que evadia toda a recepção e era preciso gritar para se fazer ouvir. Perguntei ao recepcionista se estava ocorrendo algum evento no hotel, o mesmo informou que tratava-se do “Happy Hour”  que o hotel oferecia  aos  seus hóspedes.

Happy hour? - Isto  está mais para um show sertanejo!  

Como  minha palestra era para as vinte horas, fiquei curioso para ver aquele  tal de happy hour. Entrei em um salão  pelo que eu pude observar, de hóspede só  havia eu e, todas aquelas pessoas  eram na verdade clientes passantes, que acredito eram convidados do gerente e amigos do mesmo,percebi que o nível das pessoas não era condizente com a proposta de serviço daquele hotel.
Exatamente, às 22h retornei para o hotel, pois minha palestra era de uma hora e meia e a faculdade ficava nas proximidades do hotel, ao chegar  na recepção me deparei com os mesmo grupinho de moças e rapazes, já alcoolizados, algumas  meninas deitavam se no sofás, copos e garrafas  espalhados pelo lobby, e o som  que por sinal de péssima qualidade, sem falar  dos cantores.
Perguntei ao recepcionista se era normal  aquele tal de happy hour, e se os hóspedes gostavam, ele de maneira ingênua, responde:

-Não, não senhor,  os  hóspedes mesmo não gostam e  já reclamaram do barulho, mas fazer o que, né?  O gerente  adora e, as filhas da dona do hotel  também gostam, e é só para eles mesmo, toda semana é esse inferno  aqui no hotel, agente nem consegue falar  direito  por causa do barulho, inclusive já teve hóspede que saiu do hotel e foi para o concorrente.

E vocês  não levaram essa reclamação para o gerente? – perguntei.

Ah, meu senhor, várias vezes, mas não adianta nada, o gerente não entende nada de hotelaria, a dona confia muito nele, porque ele já trabalhava com ela no outro hotel e ela o trouxe para gerenciar aqui, mas aqui pra nós, ele nem sabe falar direito.

Fiquei estarrecido com o desabafo do funcionário. Em apenas cinco minutos ele me deu informações surpreendentes de como aquele hotel estava sendo gerenciado, ou pior, não estava sendo gerenciado.

Mais uma vez, minhas convicções a respeito de donos de hotéis e não hoteleiros, estão corretas.
O que ocorre neste hotel, e já postei varias vezes sobre os tais “hotel  família”. é exatamente a falta de conhecimento e profissionalismo dos gestores, esse gerente, se é que podemos chamar de gerente  de hotel, não tem a sensibilidade, tão pouco o conhecimento da dinâmica de um hotel, Ele acredita  que trazendo  seus cantores sertanejos irá melhorar a receita do hotel, pura ilusão, ao contrario, os afastarão. Aliás o conceito de happy hour não é esse, o que vimos foi mais um "showzinho" de péssima qualidade. (Quero deixar claro que não tenho nada contra a música sertaneja), porém em se tradando de hotelaria, é preciso conhecer bem seu público, se naquele hotel o público principal é executivo, esse tipo de entretenimento é mais que irritante, não exatamente pelo gênero musical, mas sim pelo, incomodo do barulho e daquelas pessoas circulando pela recepção do hotel de maneira ridícula.