quarta-feira, 21 de março de 2012

O que caracteriza, afinal, a hotelaria de luxo?



Marcas, produtos e serviços de todos os tipos vêm usando e abusando da palavra luxo com o objetivo de alavancar sua imagem e seus preços. E o consumidor nem sempre conta com a informação necessária para poder discernir entre uma marca e outra. Afinal, o que é luxo? Ou, mais especificamente, o que é hotelaria de luxo?
A hotelaria de luxo vive hoje uma clara transição entre a aspiração aristocrática e a busca por experiências diferenciadas. Uma experiência pode ser um jantar no El Bulli ou um peixe na brasa à beira do Rio Tapajós; pode ser ficar na suíte presidencial do Hotel de Crillon, em Paris, ou numa casinha de madeira à beira dos Lençóis Maranhenses - e assim por diante. Então, uma casinha na beira da praia pode ser considerada hotelaria de luxo, uma vez que, de certa forma, satisfaz o quesito experiência? Não necessariamente. E é exatamente neste ponto que entra o oportunismo e o abuso da palavra luxo.
Em termos técnicos, para que um hotel possa ser considerado de luxo, alguns pontos básicos precisam ser respeitados:
Infra-estrutura: deve atender a um determinado padrão de qualidade e conforto, o que varia de acordo com a proposta, o conceito e até a localização do estabelecimento. Um exemplo perfeito é o North Island Resort, nas Seychelles, provavelmente um dos hotéis mais rústicos do mundo. Essa rusticidade, porém, esconde qualidade, personalização e riqueza de detalhes ímpares, o que o torna legitimamente um dos hotéis mais caros do planeta.
Serviço: eficiente, atento, personalizado. Os antigos protocolos já não mais atendem às novas gerações de viajantes, que buscam mais simplicidade, porém, com a mesma eficiência. Perfeito exemplo são os Singita Lodges, na África do Sul, na Tanzânia e no Zimbábue, reconhecidos pela excelência na prestação de serviços.
Gastronomia: deve buscar suas raízes e sua personalidade com coerência, a fim de evitar um menu demasiado exótico, mas ainda assim mantendo presente o elemento cultural local.
Autenticidade: significa que o viajante contemporâneo quer viver experiências diferentes em cada lugar, por isso, o esforço de grandes cadeias de luxo para tentar adaptar suas propriedades a cada destino, sem perder a identidade principal da marca.
É fundamental que todos os elementos estejam em consonância com essa proposta, desde arquitetura, decoração e gastronomia, até uma das questões mais importantes, em minha opinião: a utilização da mão-de-obra local.
Esses aspectos, que podemos chamar de técnicos, são o que dão suporte à questão mais importante quando se fala em luxo: a emoção. O luxo, ou a predisposição de alguém a pagar por um determinado produto ou serviço , é uma questão meramente etérea, sujeita à interpretação de cada um. Esse benefício é interpretado como uma elevada sensação de aproveitar a vida, o que, em suma, nos remete novamente ao início de todo esse conceito: a hotelaria de luxo hoje busca oferecer experiências que, de alguma forma, enfatizem os melhores aspectos da vida.
FONTE: Nicolas Peluffo - O Estado de S.Paulo