quarta-feira, 29 de maio de 2013

HOTEL OU DORMITORIO?



Hotelaria é um bom negócio, sem duvida e quando esse negócio é administrado dentro das diretrizes de uma administração hoteleira, podemos dizer que hotel é uma “mina de ouro”. Dificilmente um hotel não dar lucro, se não estar dando rentabilidade, algo está errado.
Esta semana fui procurado por um senhor que acabara de comprar um  hotel  em determinada região, e sua historia  é   a seguinte:

Sendo o mesmo fazendeiro e dono de muitas terras,imóveis  em toda cidade resolveu investir no negócio hotel, fui procurado para dar uma assessoria e ao fazer a visita local, observei vários problemas de infra estrutura e de imediato percebia-se a necessidade de um retrofit*

“Retrofit é um termo utilizado principalmente em engenharia para designar o processo de modernização de algum equipamento já considerado ultrapassado ou fora de norma. Revitalizar e atualizar as construções para aumentar a vida útil do imóvel, através da incorporação de modernas tecnologias e materiais de qualidade avançada, é fundamental para reconquistar a valorização da unidade.
O Retrofit consiste na adaptação tecnológica das instalações elétricas, hidráulicas, fachada e dos principais equipamentos instalados nas áreas comuns dos edifícios, como elevadores, sistemas de iluminação e mobiliários, dentre outros”.

Logo percebi que o distinto senhor não entendia absolutamente  nada de hotel e suas operações. Ele me levou para ver um terreno ao lado do imóvel onde pretendia ampliar o hotel com mais unidades  habitacionais.

Perguntei ao mesmo a razão de querer ampliar o estabelecimento, haja vista que o hotel  tinha poucas unidades, e essa seria o principal motivo.
Há poucas quadras desse hotel,  também há um hotel  com as mesmas  características, hotel com poucas unidades e o proprietário  vem fazendo  obras de ampliação, mas lamentavelmente podemos chamar  esse  “ retrofit” de  “ puxadinho”.

O proprietário, vendo que seu empreendimento está lotado, por uma razão muito simples, demanda maior que a oferta de hotéis na região, não pensa duas vezes  em “ vamos construir mais apartamentos” levado pela ganância em querer  encher seu dormitório, - bom, aqui eu já posso chamar esses empreendimentos de dormitório.-

Eu sempre bato nesta tecla, por que em vez de ficar fazendo puxadinho, não melhora  o que já se tem? A exemplo, ao visitar este dormitório, observo  que as camas são de lastro de madeira com colchão imundos de espuma, enxovais de cama e banho de péssima qualidade, café da manhã vergonhoso, funcionários  com uniformes  velhos, TV’s antigas  e por a vai.

Se um estabelecimento desse oferece esse tipo de tratamento aos seus hóspedes  por uma diária de cinqüenta reais, se poderia fazer as melhorias e cobrar uma diária  condizente com seu padrão, é obvio que geraria uma receita muito superior. Mas a mentalidade do gestor é quantitativa e não qualitativa.

Outro exemplo que posso dar, certo dia fiz uma consultoria para um hotel  com essa mesma problemática, o proprietário  queria  fazer  o puxadinho e assim aumentar o número de apartamento, esse hotel com  trinta apartamentos  cobrava uma diária de R$ 80,00, ele queria  construir  mais vinte unidades  e manter a mesma tarifa, o convenci a fazer uma gestão de retrofit e hoje esse hotel  cobra uma tarifa de R$ 220,00, como podemos perceber, houve um número expressivo na receita.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

FALAR INGLÊS SÓ NA COPA?


Assisti uma reportagem de uma TV, na qual proprietários de bares, restaurantes e hotéis das  principais  capitais que irão sediar os jogos da copa, estavam  sendo questionados sobre a mão-de-obra que irá receber os turistas, e se esta estava preparada  para atender esses visitantes em outro  idioma, neste caso a  língua inglesa.

O  que me admira é o governo desesperadamente criar projetos relâmpagos tais como “ Atender o turista” “ Turista seja bem vindo”  com o objetivo de “ ensinar” essa mão de obra, de uma hora para outra, falar um idioma estrangeiro.

Para tanto, confeccionou se apostilas, material didático, cartilhas, etc.  que não passam de frases para decoreba.

Fico até surpreso já que a mão de obra para hotelaria, é um gargalo  em todo país, ou seja, não há uma valorização do profissional em termos de salários, bem como a nível curricular, ainda  trás a empáfia de que todos  os profissionais deverão  falar inglês.

Se observarmos na pratica, o nível de escolaridade dessa mão de obra, não passa do ensino  fundamental, temos um déficit gigantesco em nosso  ensino educacional, principalmente no quesito ensino de língua estrangeira.

Outro dia, ouvi de um funcionário do hotel, que era obrigação da empresa pagar um curso de inglês  para seus empregados.

No meu entender as empresas não tem nenhuma obrigação de pagar um curso de inglês para seus funcionários.

Haja visto, que é obrigação de cada um especializar se e  aperfeiçoar  as  habilidades  como profissional e como cidadão globalizado, independentemente de copa ou não.

Cabe a nós brasileiros mudar a mentalidade escravagista e retrógada que ainda perpetua em nossa sociedade, ou seja, pensar que o patrão tem por obrigação “ ajudar”,  “ ter misericórdia”  dos  empregados. Como também, não tão menos importante, dizer aos “patrões”,(empresas), que abandonem  seus paradigmas  quando se tratar de funcionários, enxergá-los como parceiros e não mais como números, ou da forma pejorativa “ mão de obra”.

Voltando ao tema que nos interessa, hotelaria. Por exemplo: quando publico  vagas  para garçom em nosso hotel recebemos  uma quantidade  enorme de currículos e me surpreende muito, os  candidatos em sua maioria não tem orgulho de sua profissão! Muitos deles ainda tem a mentalidade de que um garçom  é um serviçal, é um empregado  qualquer  que só está  ali  para servir, muito pelo contrário, um garçom sendo profissional, é  de fundamental importância em qualquer  hotel ou restaurante  e cabe a essa classe se unir e se posicionar no mercado  como um profissional de alto nível tal como um advogado ou médico. Já  está fora  essa idéia de que garçom é função para quem está desempregado, ou mesmo  para quem está “passando uma nuvem”. O mercado busca um garçom com habilidades e conhecimentos intrínsecos a sua profissão como por exemplo: expressar se bem  em seu idioma nativo, falar bem uma segunda língua, ter conhecimentos aprofundados de vinhos,  conhecer as regras de etiqueta, e ter uma visão profissional completa, isso é o mínimo que se espera de um garçom. O que também é valido para todas as demais profissões.


Apenas como uma dica; Para quem não tem a oportunidade de viver uma temporada fora do país, aprender um segundo idioma não é tarefa tão fácil como simplesmente ficar decorando frases  prontas.  Também não  é  a escola  ou professor  que fará você  falar a  língua estrangeira, o esforço é totalmente seu, escolas e professores  são apenas ferramentas para te fazer  subir as escadas do aprendizado. 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

RESTAURANTES DE HOTEL

A maioria dos empreendedores (não hoteleiro), ao construir seu hotel tem a mesma duvida sobre a lucratividade de se ter ou não um restaurante no  hotel. Outro dia me perguntaram se restaurante de hotel tem boa lucratividade.
Um levantamento do Guia Quatro Rodas  mostra que, nos últimos seis anos, o número de restaurantes dentro de hotéis, flats e pousadas aumentou na lista de estabelecimentos indicados pelo Guia Brasil – foram 152 na edição 2007, contra os 198 da recém-lançada edição 2013. Mas a quantidade de premiados pela qualidade da comida caiu de 23 para 22 no mesmo período. Tão ruim quanto essa constatação é perceber que o clube dos melhores segue muito restrito aos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, sobretudo às capitais.

Dizer que restaurante de hotel vai dar lucro ou não é muito relativo, e depende de vários fatores, um deles  é saber  que restaurante de hotel não deveria concorrer com os restaurantes independentes, ou seja, os restaurantes próximos ao empreendimento hoteleiro, não necessariamente  é um concorrente  em potencial.

Lamentavelmente devo admitir que restaurante de hotel  é um mal necessário!  Um  certo dia um empreendedor  que estava construindo um hotel me procurou para resolver sua duvida sobre o restaurante do seu hotel.

Me fez a pergunta de sempre sobre a rentabilidade de restaurante, pois  tinha ouvido de outros donos de hotéis  que não seria  viável manter um restaurante devido aos altos  custos operacionais.

Antes de responder sua  questão, analisei todo o projeto, e percebi  que o arquiteto  havia cometido  erros absurdos  no projeto, mas  haveria tempo para sanar tais problemas, como por exemplo, colocar o banheiro dentro do restaurante, um erro imperdoável.

Ao estudar o macro-ambiente, descobri que a região não oferecia muitas opções de restaurantes,neste  caso,  seria de bom agrado que o hotel investisse num restaurante.

Outro erro  do arquiteto, foi projetar um ambiente  pequeno para um hotel  de  120 Uhs.  Esse arquiteto, não entendeu que primeiramente o restaurante é para hóspedes, mas precisamente para o café da manhã. O ambiente não comportava mais de que quarenta pessoas sentadas. 

Outro fator preocupante de muitos hotéis é querer elevar a receita de seu restaurante abrindo as portas para o publico externo, não hóspede. Deve se ter muito cuidado nessa gestão, pois hóspedes não gostam de se misturar com publico de fora, mas isso  é relativo, vai depender da gerencia de como administrar esse mix.

É  fundamental que o empreendedor  saiba discernir hotel e restaurante, são segmentos diferentes! Partindo do princípio  de que para qual publico o seu hotel  está sendo construído. Outro  fator  que considero absurdo  em alguns  hotéis é colocar música ao vivo, bandinhas de sertanejo, etc. com o intuito de trazer clientes  externos, mas esquece  que um hotel  não é casa de show, salvo exceção se o hotel está segmentado para  esse nicho.

Outro erro é colocar televisão  dentro de restaurante, além de ser ridículo, devemos saber  que TV distrai a atenção dos funcionários. Porém sou totalmente a favor de se colocar uma música ambiente, mas com muito critério de bom gosto, nada de regionalismo, etc. o bom mesmo  é uma música  instrumental, solo de piano,ou uma MPB,  onde os  comensais possam conversar.

Muito cuidado com os “mise en places” de mesa, as vezes  me deparo com caixinhas  de palitos (Gina), ou mesmo  paliteiros, pelo amor de Deus, isso é horroroso! Se eu for  comer num restaurante e tiver esses palitos na mesa, chamo o gerente e digo-lhe que aqueles palitos que chamam de “ palito de dente”, só serve  para comer  azeitonas. Lamentavelmente ainda se vê esse tipo de coisa  em muitos  lugares, tão logo ponho em duvida a administração daquele ambiente.