segunda-feira, 29 de julho de 2013

DONO DE HOTEL NÃO É HOTELEIRO?



Como assim, dono de hotel não é hoteleiro? Perguntas como estas tem enchido minha caixa postal de emails de várias partes do Brasil, estudantes e professores de hotelaria, e também proprietários de hotéis. O motivo do questionamento foi devido aos postes escritos de maneira  critica e que de alguma forma geraram controvérsias. 

Muito bem, irei explanar meu  ponto de vista.

Então vamos lá, hotelaria é uma faculdade das ciências humanas que abrange o âmbito das práticas e teorias acerca dos conhecimentos que tangem a administração de hotéis e eventos além de novos gêneros de hospedarias.

A hotelaria tem como finalidade atuar nas áreas de hospedagem, alimentação, segurança, entretenimento e outras atividades relacionadas com o bem-estar dos hóspedes.

Hoteleiro é um profissional que trabalha com empreendimentos hoteleiros, sendo estes: hotel, resort, pousada, albergue, flat.

Partindo deste principio em que todo dono de hotel não é hoteleiro e que todo hoteleiro  não necessariamente é dono de hotel, temos  os hoteleiros que por formação acadêmica, estudaram hotelaria e atuam como profissionais no dia a dia de um hotel.

A hotelaria também possui seu cunho administrativo e empreendedor, é ai que entra a controvérsia.

Um empresário do ramo de supermercados que constrói um hotel e o entrega para  uma administradora hoteleira por exemplo não poderia ser chamado de hoteleiro, mas sim de empreendedor.

E quando o proprietário insiste em querer colocar membros da família,parentes,  filhos de amigos como “ cabide de emprego”, o hotel sofre graves conseqüências, uma delas é o afastamento da clientela.

Hotelaria é uma atividade para poucos,ou o proprietário assume em todos os sentidos a postura  de hoteleiro, ou na melhor das hipóteses contrata um Gerente Geral Profissional. Vale lembrar que hotelaria é quase uma filosofia e/ou  A Arte de Receber Bem

terça-feira, 23 de julho de 2013

ESTÁ DIFÍCIL ENCONTRAR GENTE PRA TRABALHAR NO SEU HOTEL?


Participo de alguns fóruns hoteleiros  nas redes sociais e o que mais tenho observado são  os profissionais  reclamando da mão de obra. Gerentes e profissionais de recursos humanos são unânime em dizer: “  mão de obra  para hotelaria está cada vez mais difícil”  “cadê os profissionais da hotelaria?”  Enfim, a ladainha é sempre  a mesma.
Mas será que realmente essa mão de obra  está escassa?  Não seria pelo fato de a cada dia, um novo hotel é aberto no país? Ou  os baixos  salários oferecidos pelos hoteleiros não atraem  estes profissionais?

Tenho uma trajetória de mais de 25 anos  na hotelaria e pelo que me lembro hoje  está bem melhor do que  anos  atrás, mas com uma grande diferença, antes tínhamos pessoas que realmente amavam servir, me lembro quando ainda “ engatinhava”  nos primeiros degraus da hotelaria, meu sonho era trabalhar num hotel  cinco estrelas! Nossa era um sonho de consumo, mas não era pelos salários e sim pelo glamour, pelo status, por toda aquela áurea de beleza que a hotelaria nos proporcionava.

Não existia faculdades de hotelaria, não existia MBA, não existia cursos, etc. as pessoas  entravam e aprendiam na pratica a arte de bem receber.

Com o tempo, chegaram as redes internacionais e a partir daí  deu-se um novo salto na hotelaria, a tecnologia, criaram-se os departamentos de recursos humanos, e fomos nos sofisticando em termos de qualidade e por ai vai.

O que posso observar é que  a mão de obra  especializou-se, mudou tudo! Hoje podemos ter uma camareira  que durante o dia trabalha e a noite está cursando uma faculdade, porém a mentalidade dos donos de hotéis e seus gestores não! Lamentavelmente  ainda  no Brasil  existe  uma blindagem escravagista por parte dos empresários, principalmente nas regiões do norte e nordeste, onde o "coronelismo" ainda  é um fantasma. Certa vez  eu estava numa implantação numa cidade do interior, quando o proprietário veio me questionar sobre a contratação de um mensageiro  que eu tinha feito, pois estava formando uma nova equipe para o seu hotel, e me faz o seguinte questionamento: " Sr Leonardo, porque o senhor contratou aquele rapaz? ( mensageiro). Respondi: pelas qualidades, tem o perfil que precisamos,etc. etc. Para minha surpresa este senhor disse: Este rapaz é muito esperto! E  ele está fazendo faculdade? Daqui uns dias  ele vai querer ser dono do meu hotel, acho melhor o senhor colocar uma pessoa menos letrada (sic). Como vê, assim é a mentalidade de muitos donos de hotéis, querem empregados, submissos, ignorantes, para poderem ter "controle", mas os tempos mudaram!

Tenho visto anúncios para vagas de gerente geral em hotéis de redes, com salários de R$ 2,5 isso é uma piada!  Muito recente um amigo meu hiper competente com mais  de dez anos em hotelaria  na Europa, participou de uma entrevista para vaga de gerente geral, fizeram se dinâmicas de grupos, entrevistas com psicólogos, head-hunter, etc. etc. etc. e  logo depois  a vaga foi preenchida por outro candidato que acabara de sair da faculdade de administração de empresas, era loiro de olhos azuis, porém  nunca trabalhou num hotel, seu currículo não apresentava um perfil exigível para atuar como GG e não ficou mais do que três meses naquele hotel, questionado por qual razão  estava saindo do hotel, disse: Estava cansado de ter que dar explicações diárias  aos hóspedes, funcionários, fornecedores, etc. pois pensava que deveria ficar dentro de uma sala  dando ordens sem se expor! Agora pergunto, onde está a competência dos psicólogos, do head-hunter, que não detectaram o perfil? Será por que  ele tinha olhos azuis?

Esse episodio nos faz refletir  sobre os atuais conceitos praticados pelos hotéis e seus gestores, o que se vê nesses  departamentos de recursos humanos são jovens que mal conhecem a dinâmica de um hotel, não sabem nem sequer  como se arruma uma unidade habitacional.

Outro dia, um hotel de nível internacional, aqueles de luxo, porém sem ser de uma rede colocou um anuncio para vaga de recepcionista, e assim exigia: curso superior, pós graduação, inglês e francês fluente, flexibilidade de horários, idade entre vinte e vinte cinco anos. Salário, R$ 1.200,00. É pra morrer de rir, não?
Então, por que não valorizarmos  os que realmente querem trabalhar? Particularmente eu escolho meus  funcionários  baseado em minha experiência,  procuro saber se esses  gostam de servir ( sem servilismo), se gostam de gente, e não pratico salários ditados por sindicatos em que na sua maioria os presidentes destes são donos  de hotéis.

Sem dúvida não podemos descartar candidatos com títulos acadêmicos, mas que tenham as qualidades que destaco, ou seja, em primeiro  vem as qualidades pessoais, não me iludo com currículos.

Outro exemplo: Um certo hotel que trabalhei tinha um  Maître, um senhor de mais de setenta anos, mal sabia  dizer bom dia em inglês, mas era venerado  pelos  clientes e funcionários, sabia receber  os comensais  com tanta diplomacia  que fazia inveja aos próprios diplomatas, era cortês, elegante, educado, carismático e comandava o restaurante  como um maestro, e quando perguntava  sobre sua educação escolar, ele simplesmente não tinha  nem o ensino fundamental completo. Agora pergunto: os clientes se importam com funcionários  que tenham títulos acadêmicos, ou com a  postura destes?