quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A Gerencia “familiar”dos pequenos hotéis da cidade



Tão logo damos uma volta pelas ruas principais da cidade para identificarmos muitos estabelecimentos com fachadas de Hotel X e Hotel Y. O conceito que esses estabelecimentos consideram como hotel, está bem além do que podemos chamar realmente de um empreendimento hoteleiro. Os donos desses estabelecimentos têm a idéia fixa de alugar quartos, pouco se importando com o fator qualidade e serviços. Não existe uma fiscalização para controlar esses estabelecimentos que mais são dormitórios e alojamentos que em sua maioria são frequentados por viajantes, caminhoneiros, vendedores.

A exemplo, todos os dias passo em frente a vários estabelecimentos denominados hotéis e um desses me chama a atenção, o “ hotel fica bem localizado numa avenida principal da cidade, bem na entrada desse “hotel” o proprietário colocou umas cadeiras onde seus “ hóspedes” podem sentar, e vejo um monte de peão sentados com garrafas de cerveja, sem camisas, mas parecendo um bando de bóia fria, bem na porta de entrada do cujo “hotel”, ou seja, chamar aquilo de hotel é ofender a classe hoteleira, pois não passa de um cortiço.
Dias atrás, por coincidência, tive a oportunidade de conversar com o proprietário desse cortiço que estava na mesma fila de banco que eu, eu estava lendo um exemplar  da “revista hotéis”, e ele curiosamente me perguntou se eu era dono de hotel, disse-lhe que eu era um Gestor Hoteleiro e Administrador. Não perdeu a oportunidade de aproveitar para fazer uma consultoria de grátis. 
E disse-me: Eu tenho um hotel, acredito que você conhece o Hotel XXXXX.  Ah!  Claro eu passo diariamente em frente dele, e então como está o seu hotel, a sua ocupação? Perguntei. Este senhor me respondeu que de alguns anos para cá, a coisa estava ficando difícil, pois devido a abertura de novos hotéis na cidade, ele havia perdido  muitos  de seus hóspedes para  esses novos  hotéis. E continuou a se lamentar que mesmo tendo baixado suas tarifas os  seus clientes  prefeririam pagar mais caro em outro hotel,  ele  não entendia por que. E claro, ele não hesitou em me perguntar, o que eu achava?
Não quis entrar nos detalhes, lhe fiz a seguinte pergunta: O senhor procurou saber junto a seus clientes  o que os fizeram  deixar seu hotel para se hospedar no hotel concorrente?
Resposta: Não, mas minha esposa  é quem  fica no hotel a maior parte das vezes, quando não é ela  é meu filho, mas eles não querem saber de nada. E continuei, qual é o conhecimento de hotelaria que sua esposa tem? “Bem, ela não sabe nem ler e escrever direito, por isso quando ela precisa resolver alguma coisa, pede para meu filho, mas ele só quer saber de jogar no computador, não ta nem ai para nada”. ( sem comentários)

Devemos perceber que o ato de administrar um hotel mesmo sendo de dez unidades  habitacionais  pode parecer muito simples, a ponto de muitos proprietários desprezarem as ferramentas administrativas e os estudos acerca do ambiente empresarial. E é aí que reside o problema que leva tantos empreendimentos ao insucesso: a falta de uma administração com base científica. A gestão baseada no improviso e no “achismo” precisa dar espaço para uma gestão profissionalizada e baseada em conhecimentos teóricos aplicados à realidade de todos os tipos de organização. Afinal a organização é um sistema administrativo projetado e operado para atingir objetivos.